Atletas paraolímpicos brasileiros receberão apoio significativo da ciência por meio do Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpico e Paraesportivo (CMEPP), vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). A iniciativa visa melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência e aumentar o desempenho de paratletas, com foco nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028.
Além dos atletas, o CMEPP se dedicará a promover a prática de exercícios em casa para pessoas com dificuldade de locomoção. Isso será feito por meio do desenvolvimento de ferramentas que utilizam tecnologias vestíveis e XR games (realidade estendida).
“Existem pouquíssimos estudos sobre atletas paraolímpicos. Muito do conhecimento sobre esportes de alto rendimento não se aplica a esses atletas, cujos indicadores de estresse, como creatina quinase, cortisol e outros, já estão alterados antes mesmo do exercício,” explica José Cesar Rosa Neto, coordenador do CMEPP, em um evento que apresentou quatro novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs). Essa parceria envolve a FAPESP e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD).
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### Centros de Inclusão e Acessibilidade
O lançamento ocorreu no auditório da SEDPcD e, entre os novos centros, o Centro de Inclusão e Acessibilidade por Meio da Tecnologia (CIATec), localizado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, promete criar uma “Netflix da educação inclusiva. A plataforma digital será voltada para jogos educativos adaptativos destinados a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Carlos Bandeira de Mello Monteiro, coordenador do CIATec, destacou o uso de inteligência artificial para calibrar, em tempo real, a dificuldade dos jogos conforme o perfil neurológico dos jogadores, assegurando que todos possam participar juntos.
Os docentes também serão atendidos pelo Centro de Tecnologia Assistiva e Inclusão Escolar (CTAIE), da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), em colaboração com o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI). Maria Cecília Martinelli, coordenadora do CTAIE, mencionou o objetivo de mapear as necessidades de acessibilidade nas escolas públicas e oferecer formação continuada aos professores por meio do desenvolvimento de dispositivos assistivos personalizados, como órteses e próteses em 3D.
### Foco em Deficiência Visual
O novo Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPODV), sediado na USP, será dedicado a cegos e pessoas com baixa visão. Maria Célia Lima Hernandes, coordenadora do CPODV, enfatizou a criação de estratégias para ampliar o acesso dessa população a espaços e produções culturais, utilizando recursos como audiodescrição e materiais táteis.
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, ressaltou a importância desses centros para garantir que a ciência não apenas apoie a pesquisa básica, mas também resolva problemas sociais. Ele anunciou a criação de novos centros, destacando a interação entre academia, governo e empresas como essencial para enfrentar desafios públicos. Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento operam em um modelo de cofinanciamento, onde cada R$ 1 pedido à FAPESP é igualado por uma contrapartida das entidades parceiras, com um horizonte de financiamento que se estende por até cinco anos.
Essas iniciativas almejam proporcionar avanços no conhecimento e melhorias nas políticas públicas, assegurando que a ciência e a tecnologia contribuam de forma significativa para a inclusão e autonomia das pessoas com deficiência.
Informações da Agência FAPESP

