Chocolate da Amazônia: Qualidade e Nutrição em Alta
O chocolate produzido na Amazônia é famoso internacionalmente por seu sabor único e, segundo um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pode conquistar ainda mais valor no mercado. Pesquisadores descobriram que práticas de pós-colheita, como a fermentação das amêndoas, combinadas com a escolha do cultivar, podem unir qualidade nutricional e sabor, ampliando o potencial comercial do chocolate amazônico.
Valor do Cacau pela Qualidade
Ao contrário de outros produtos agrícolas como soja, milho e trigo, o cacau é valorizado principalmente pela sua qualidade. O estudo liderado pelo professor Renato de Mello Prado, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, revela que o cacau da Amazônia pode lucrar tanto em qualidade nutricional quanto em sabor, através da seleção adequada de cultivares e práticas de pós-colheita.
Estudo Apoiados por Instituições
Realizado na Estação Experimental Frederico Afonso, em Rondônia, o estudo avaliou nove clones de cacau sob dois sistemas de pós-colheita: grãos fermentados e grãos pré-secos. Colaboraram na pesquisa a Embrapa de Porto Velho, a Universidade Federal de Rondônia (Unir) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Leia Também
Importância da Fermentação
A fermentação é essencial na produção de chocolate, pois confere cor e aroma à amêndoa. No entanto, esse processo pode acarretar em perdas nutricionais. Edilaine Istéfani Franklin Traspadini, bolsista de pós-doutorado da FAPESP, sugere a criação de blends que combinam grãos fermentados e não fermentados, equilibrando sabor e valor nutricional, similar às práticas já adotadas na indústria do café.
Resultados do Estudo
Os dados mostraram que a fermentação das amêndoas de cacau reduz significativamente açúcares e taninos, e aumenta a quantidade de aminoácidos, enzimas antioxidantes e minerais como potássio e magnésio. Por outro lado, o cacau não fermentado retém maiores níveis de fósforo e cálcio, essenciais para a saúde óssea e cardiovascular.
Inovação no Cacau Amazônico
Uma descoberta importante foi a identificação de glicina betaína e prolina nas amêndoas, que atuam como antioxidantes no corpo humano. Renato de Mello Prado destaca que isso pode transformar o cacau amazônico em um verdadeiro superalimento.
Variedade de Clones e Aplicações
O estudo também revelou variações entre os cultivares. O clone CCN 51 destacou-se por seu perfil equilibrado, enquanto o clone EEOP 63 mostrou maior produtividade. O clone EEOP 96 manteve altos níveis de fenólicos e antocianinas em grãos não fermentados, indicados para produções alternativas como nibs e snacks saudáveis.
A pesquisa enfatiza a relevância de combinar diferentes blends de amêndoas para maximizar a qualidade do chocolate e outros produtos derivados do cacau na Amazônia, realçando a importância do manejo pós-colheita e da seleção genética entre os produtores.
Para mais detalhes, leia o artigo completo aqui.
Informações da Agência FAPESP
Curtiu? Siga o Candeias Mix nas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, e Google Notícias. Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp e Telegram.

