O projeto “Cosmopolíticas do cuidado no fim-do-mundo” é uma experiência inovadora que conecta saúde pública, antropologia e saberes tradicionais, enfatizando a importância das práticas de cuidado em comunidades marginalizadas. Coordenado pelo professor José Miguel Nieto Olivar, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), e financiado pela FAPESP, o projeto investiga diferentes abordagens de cuidado e saúde em contextos variados, promovendo a interação entre conhecimentos hegemônicos e não hegemônicos.
Objetivos do Projeto
O principal objetivo é reconhecer e valorizar as formas de cuidado desenvolvidas por grupos historicamente deixados de lado. Segundo Olivar, o desafio vai além de documentar práticas; é uma questão epistemológica que convida a repensar conceitos de saúde, seus paradigmas e os sujeitos envolvidos.
Ações e Práticas nas Comunidades
A Parcela 1, com a participação da pesquisadora Elizângela da Silva Costa, foca nas práticas de cuidado das mulheres indígenas em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro. Durante a pandemia, essas mulheres desempenharam um papel crucial na campanha “Rio Negro, nós cuidamos”, utilizando saberes ancestrais em complementação ao conhecimento médico.
Elizângela menciona o Kariamã, um repositório que abrange saberes sobre plantas e ritmos naturais, essencial para o cuidado comunitário. “Nossas roças são nossas prateleiras de medicamentos”, destaca.
A Parcela 2 explora o cuidado em terreiros de umbanda no Alto Solimões, focando na inclusão de pessoas LGBTQIA+. O pesquisador Michel de Oliveira Furquim dos Santos investiga como esses espaços oferecem acolhimento e proteção, unindo espírito e corpo em suas práticas.
Redes de Cuidado e Sustentabilidade
A Parcela 3 analisa as redes de proteção criadas por trabalhadoras sexuais no Brasil, destacando a força desse movimento e suas respostas à marginalização. Durante a pandemia, o projeto trabalhou com diversas organizações para identificar mulheres em situação de vulnerabilidade.
Na Parcela 4, são exploradas as conexões entre segurança alimentar, práticas agroecológicas e meio ambiente, tanto na Amazônia quanto em áreas urbanas. Com foco na produção local, a doutoranda Júlia Camanho investiga as associações indígenas que garantem a soberania alimentar nas escolas.
A Parcela 5 foca na saúde de populações em situação de privação de liberdade, analisando as omissões do sistema de saúde em relação a esses indivíduos. Pesquisadoras como Milena Novais e Beatriz Oliveira Santos estudam questões como violência institucional e condicionantes alimentares nas prisões.
Reflexões Finais
A Parcela 6 serve como um espaço teórico, integrando aprendizados e propondo intervenções nas práticas acadêmicas. Os estudantes desenvolvem pesquisas sobre racismo estrutural e práticas comunitárias nas periferias paulistanas, buscando ampliar a compreensão sobre saúde pública.
O projeto visa reformular a narrativa da saúde coletiva, desafiar as normativas tradicionais e integrar saberes diversos. O Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecido em 1988, é reconhecido como fundamental, mas também precisa evoluir para incluir múltiplas perspectivas sobre saúde.
Para saber mais sobre as ações e reflexões do projeto, acesse: cosmopoliticasdocuidado.fsp.usp.br.
Informações da Agência FAPESP

