Quase três anos após o fim oficial da pandemia de SARS-CoV-2, estimativas indicam que entre 80 e 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de COVID longa. Essa condição crônica, resultante da infecção, está associada a mais de 200 sintomas, incluindo fadiga, falta de ar e principalmente distúrbios neuropsiquiátricos, como disfunção cognitiva, distúrbios do sono e depressão. Esses efeitos podem comprometer severamente a qualidade de vida, dificultando o dia a dia e o rendimento no trabalho.
Mecanismos Fisiopatológicos da COVID Longa
Os mecanismos subjacentes à COVID longa incluem persistência viral do SARS-CoV-2, reativação de herpesvírus, ativação imune crônica, desregulação do sistema imunológico, disbiose da microbiota intestinal, anormalidades de coagulação e dano endotelial. Alterações estruturais no cérebro e conectividade funcional anormal também são destacados.
Para um melhor entendimento da COVID longa, é essencial realizar mais estudos que busquem padronizar definições e nomenclaturas, além de aumentar o número de ensaios clínicos focados em tratamentos potenciais.
Publicação sobre Manifestações Neurológicas e Psicológicas
Esses aspectos foram abordados no primeiro artigo de revisão publicado na Nature Reviews Disease Primers, que analisa a epidemiologia, mecanismos biológicos, diagnóstico e terapias da COVID-19. O trabalho, elaborado por um painel internacional de 14 especialistas, inclui a professora e neurologista Clarissa Yasuda, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), que coordena pesquisas sobre COVID longa.
Yasuda destaca a necessidade de estudos mais aprofundados: “Essa doença é nova e pouco conhecida. Precisamos aprender com ela para proteger a humanidade de futuras pandemias. A prevenção é a vacinação e evitar reinfecções.”
Diagnóstico e Prevenção da COVID Longa
Atualmente, a única forma de prevenir a COVID longa é evitar a infecção por SARS-CoV-2. O diagnóstico é clínico e requer um histórico recente de contaminação pelo vírus, além de sintomas persistentes por pelo menos três meses. Exames complementares podem ser necessários para descartar outras condições.
No Brasil, embora os casos de COVID-19 estejam diminuindo, a prevalência ainda é alta. Em 2025, cerca de 432,4 mil casos foram notificados, com 25.200 registros apenas entre janeiro e a segunda semana de fevereiro.
Impactos na Qualidade de Vida e Mercado de Trabalho
O artigo também aborda os efeitos da COVID longa na qualidade de vida e no mercado de trabalho. A perda de emprego e renda, além da luta pela normalização das atividades, são desafios enfrentados por aqueles afetados. Um estudo de 2024 indica que a COVID longa resultou em mais de 803 milhões de horas de trabalho perdidas no Brasil, implicando em um custo potencial de mais de US$ 11 bilhões.
Yasuda, que conviveu com os efeitos da COVID longa, ressaltou a importância de estratégias de recuperação para lidar com dificuldades cognitivas.
Estigmas e Acompanhamento Multidisciplinar
Os estigmas relacionados à COVID longa podem afetar o reconhecimento da doença e o acesso a cuidados. Crianças e adolescentes, por exemplo, enfrentam graves desafios nas interações sociais e educacionais. Para mitigar essas barreiras, recomenda-se um acompanhamento multidisciplinar, envolvendo diferentes áreas da saúde.
A pesquisa longitudinal em que Yasuda trabalha busca entender as alterações cerebrais causadas pela COVID longa. Ela enfatiza a importância do reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido no CEPID BRAINN.
O artigo COVID-19-associated neurological and psychological manifestations pode ser acessado aqui.
Informações da Agência FAPESP
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