Descoberto Novo Dinossauro Pescoçudo no Maranhão, Parente Próximo de Espécie Europeia

Por Redação
4 Min

Descoberta de Nova Espécie de Dinossauro no Maranhão

Um estudo recém-publicado no Journal of Systematic Palaeontology revela a descoberta de uma nova espécie de dinossauro no Maranhão, Brasil, durante as obras de um terminal rodoferroviário em Davinópolis. Nomeada Dasosaurus tocantinensis, essa espécie de aproximadamente 20 metros viveu cerca de 120 milhões de anos atrás.

Importância Evolutiva da Descoberta

Do ponto de vista evolutivo, os pesquisadores identificaram que a espécie mais próxima, atualmente conhecida, viveu na Espanha. Essa descoberta não apenas demonstra a presença de um novo grupo de dinossauros na região brasileira, mas também corrobora a antiga conexão entre o arquipélago europeu e a atual América do Sul.

Os ancestrais do Dasosaurus tocantinensis provavelmente se dispersaram para a América do Sul, passando pelo norte da África, entre 140 e 120 milhões de anos atrás, um período em que os continentes estavam unidos no supercontinente Gondwana.

Características e Contexto

O professor Elver Luiz Mayer, especialista em paleontologia, afirma que este é o maior dinossauro conhecido até agora no Maranhão. Enquanto outras espécies, como o Amazonsaurus maranhensis, eram menores (cerca de 10 metros), o recém-descoberto dasossauro revela a diversidade da fauna da época.

A descoberta ocorreu quando uma equipe de arqueólogos monitorava a obra em Davinópolis, inicialmente acreditando que os fósseis eram de mamíferos da megafauna. No entanto, ao perceber a profundidade (cerca de oito metros), Mayer concluiu que se tratavam de algo muito mais antigo, datando do Cretáceo.

Estudos e Análises

Após a extração e preparação dos fósseis, as análises foram realizadas no Pará, e, posteriormente, o exemplar foi devolvido ao Maranhão, onde está armazenado no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Estado, em São Luís. Langer, professor da USP, destaca a importância do material encontrado, que inclui vértebras, fêmur e outros ossos, sugerindo que mais fósseis dessa espécie podem ser escavados no futuro.

O Nome da Espécie

O nome Dasosaurus alude à palavra grega "dasos", que significa "floresta", referindo-se à vegetação densa da região do Maranhão. O sufixo "tocantinensis" é uma referência ao Rio Tocantins, próximo ao local da descoberta.

Implicações da Pesquisa Paleontológica

As análises da microestrutura dos ossos, lideradas por pesquisadores da UFRN, apresentam um padrão de crescimento que combina características de saurópodes antigos e de titanossauros, sugerindo que certas adaptações ocorreram antes do que se supunha. Esse conhecimento é crucial para entender como alguns dinossauros conseguiram atingir tamanhos tão imensos.

Desafios da Pesquisa

A descoberta do Dasosaurus ilustra o paradoxo da pesquisa paleontológica: enquanto grandes projetos de construção podem ameaçar fósseis, eles também oferecem oportunidades de acessar o solo, revelando registros que pesquisadores não conseguiriam acessar de outra forma. Langer enfatiza a necessidade de um maior diálogo entre as partes envolvidas para resguardar o patrimônio fossilífero durante esses empreendimentos.

Continuação da Pesquisa

Atualmente, o grupo de pesquisadores está em negociações para continuar a escavação no local, em busca de novas informações sobre a espécie. Para saber mais sobre essa interessante descoberta, o artigo completo pode ser acessado em tandfonline.com.

Apoio à Pesquisa

Essa iniciativa foi apoiada pela FAPESP, que contribuiu com bolsas de doutorado, pós-doutorado e auxílio na modalidade Jovem Pesquisador, incentivando a pesquisa paleontológica no Brasil.

Informações da Agência FAPESP

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