Projeto para Medir Estoque de Carbono no Brasil: A Iniciativa que Contará com Dados Precisos

Por Redação
4 Min

Nos próximos meses, pesquisadores de diversas universidades e instituições de pesquisa do Brasil iniciarão um grande projeto que visa coletar amostras do solo e da vegetação de aproximadamente 6,5 mil locais. O objetivo é quantificar, pela primeira vez, os estoques de carbono de todos os biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.

Banco de Dados Público e Mercado de Carbono

A expectativa é criar um banco de dados público que servirá para calibrar e estruturar a primeira linha de base de carbono no solo e na vegetação de todo o território nacional. Com isso, o Brasil poderá se posicionar de maneira mais eficaz no mercado de carbono, com inventários baseados em dados sólidos e confiáveis. A iniciativa também permitirá avaliações mais precisas das perdas de carbono no solo e dos ganhos obtidos por meio de reflorestamento.

Carbon Countdown: Iniciativa Colaborativa

Denominado Carbon Countdown, este projeto é realizado pelo Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), financiado pela FAPESP e em parceria com empresas como Shell e Petrobras. O investimento estimado para o projeto é de R$ 100 milhões, oriundos da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Logística de Coleta de Dados

Para enfrentar o desafio da extensa cobertura territorial, o Carbon Countdown contará com uma coordenação central e hubs regionais que envolverão universidades e institutos federais, garantindo a participação de pesquisadores locais familiarizados com as particularidades de cada bioma.

Na primeira fase, os pesquisadores desenvolverão protocolos de trabalho específicos para cada bioma, considerando as diferenças em relevo, temperatura, vegetação e tipo de solo. Essa abordagem assegura que as amostras coletadas serão verdadeiramente representativas.

Metodologia Científica Avançada

A coleta de dados primários será central para o projeto, resultando em 250 mil amostras de solo e mais de 400 mil para determinar propriedades químicas e físicos. Além disso, diversas amostras de vegetação serão coletadas para calcular biomassa e carbono, bem como identificar espécies.

Após a coleta, as amostras serão processadas em laboratórios regionais e analisadas segundo metodologias rigorosas, seguindo padrões internacionais do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). A coleta empregará tecnologias avançadas, como espectroscopia para solo e Lidar (Light Detection and Ranging) para vegetação, permitindo a criação de mapas 3D precisos.

Contribuição ao Mercado de Carbono

Criar uma linha de base de carbono no solo e na vegetação é fundamental para o desenvolvimento de mercados de crédito de carbono, uma vez que facilitará o monitoramento e a verificação das informações. Com essa base, será possível identificar áreas com elevado potencial para o sequestro de carbono, tornando o Brasil um protagonista neste setor emergente.

Em resumo, o Carbon Countdown não apenas contribui para a ciência e preservação ambiental, mas também para o fortalecimento da economia verde no Brasil. Com a implementação cuidadosa da metodologia e o compromisso com a pesquisa, os objetivos deste projeto podem ter um impacto significativo na luta contra as mudanças climáticas.

Informações da Agência FAPESP

Curtiu? Siga o Candeias Mix nas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, e Google Notícias. Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp e Telegram.
Compartilhe Isso