Inteligência Artificial Detecta Dor em Bebês: Avanços na Tomada de Decisões Médicas em UTIs Neonatais

Por Redação
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Engenheiros do Centro Universitário FEI e pediatras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram uma inovadora ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de identificar o nível de dor de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Essa tecnologia utiliza modelos multimodais de linguagem e visão para interpretar expressões faciais dos bebês com maior precisão e menos subjetividade.

Inovação na Avaliação da Dor Neonatal

A dor é um fenômeno subjetivo, especialmente difícil de avaliar em recém-nascidos, que não conseguem se comunicar verbalmente. Em UTIs neonatais, comumente são utilizadas escalas de dor, mas essas avaliações podem variar significativamente conforme o estado emocional do observador. Médicos, enfermeiros e familiares podem ter percepções diferentes, o que torna a avaliação da dor um desafio. A nova ferramenta de IA busca mitigar essa subjetividade e apoiar a tomada de decisões clínicas.

Pesquisa e Publicação

A pesquisa foi financiada pela FAPESP e publicada na revista Pediatric Research, demonstrando que o sistema de IA supera as técnicas tradicionais de deep learning na identificação de dor e conforto em recém-nascidos. O modelo apresentado não requer treinamento separado para cada tarefa, aumentando sua aplicabilidade clínica.

Avanços em Machine Learning

Até pouco tempo, modelos clássicos de machine learning exigiam vastos bancos de dados específicos para cada função, além de complexos processos de pré-processamento de imagens. A introdução de modelos de linguagem multimodais, como ChatGPT e Gemini, permite a utilização de modelos pré-treinados com grandes quantidades de dados da internet, facilitando a resolução de tarefas médicas de forma mais ágil.

Importância da Gestão da Dor Neonatal

Um recém-nascido em UTI pode enfrentar até 13 procedimentos potencialmente dolorosos por dia, incluindo punções, cirurgias e intubações. A gestão adequada da dor é crucial, pois a dor mal administrada pode causar sequelas duradouras. Historicamente, acreditava-se que os recém-nascidos não sentiam dor, mas estudos atuais demonstram que eles são, de fato, mais vulneráveis aos efeitos adversos da dor.

Futuro da Inteligência Artificial na Saúde

Os pesquisadores acreditam que a ferramenta de IA pode transformar sinais subjetivos de dor em parâmetros objetivos, servindo como um “fiel da balança” na avaliação clínica. Futuramente, esta tecnologia poderá emitir alertas em tempo real, atuando em conjunto com dispositivos de monitoramento cardíaco e respiratório, além de apoiar prescrições de analgésicos mais seguras.

A importância de acertar o tratamento é essencial, uma vez que tanto a dor não tratada quanto o uso excessivo de medicação podem ser neurotóxicos para o cérebro em desenvolvimento. O desafio será tratar a dor quando presente e suspender o tratamento quando não for mais necessária.

Conclusão

O impacto da inteligência artificial no diagnóstico e manejo da dor neonatal vai além da performance técnica, trazendo novas esperanças para a avaliação precisa da dor em bebês. O artigo detalhando esses avanços pode ser lido na íntegra em nature.com.

Informações da Agência FAPESP

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