Pesquisadores Descobrem ‘Assinatura Neuroimune’ que Pode Antecipar Complicações da Hepatite

Por Redação
4 Min

Descoberta de Genes Associados à Hepatite Viral Pode Ajudar no Diagnóstico e Tratamento

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram um conjunto de genes que pode prever a evolução da hepatite viral no corpo humano. Essa rede de genes, denominada neuroimunoma, estabelece uma ligação entre o sistema nervoso e o sistema imunológico, servindo potencialmente como um biomarcador para determinar a gravidade das lesões hepáticas e o risco de câncer de fígado associados a infecções por vírus da hepatite.

O estudo, publicado no Journal of Medical Virology e apoiado pela FAPESP, analisou mais de 1.800 amostras de bancos de dados públicos de países como Estados Unidos, Itália, China, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Taiwan. As informações coletadas incluíram dados sobre tecidos do fígado e células sanguíneas infectadas por diversos vírus da hepatite.

Uma das principais descobertas foi que os leucócitos, células de defesa do sangue, em pacientes com hepatite, começam a expressar genes normalmente associados ao sistema nervoso. Isso sugere uma interconexão significativa entre os sistemas nervoso e imunológico, especialmente durante inflamações crônicas como a hepatite, segundo Otávio Cabral-Marques, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da pesquisa.

Utilizando técnicas de aprendizado de máquina, os pesquisadores observaram que, à medida que a hepatite viral avança para o câncer de fígado (hepatocarcinoma), há uma desregulação dos genes analisados. Alguns genes são mais ou menos expressos dependendo do estágio da doença.

Esse conjunto de genes pode se transformar em um biomarcador eficaz da progressão da hepatite. “Existem mudanças significativas na desregulação entre os estágios iniciais e avançados do tumor, permitindo um monitoramento mais preciso da evolução da hepatite viral”, afirma Adriel Leal Nóbile, cientista de dados e bolsista da FAPESP.

Impacto Global da Hepatite Viral

A hepatite viral é uma doença sistêmica que pode impactar a saúde de diferentes órgãos além do fígado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a segunda maior causa de morte infecciosa no mundo, resultando em cerca de 1,3 milhão de óbitos anualmente.

Relação com a Saúde Mental

Análises revelaram que genes específicos, como NRG1 e DBH, apresentam alterações progressivas à medida que a gravidade do câncer aumenta. O gene DBH, que está envolvido na produção de noradrenalina (um neurotransmissor que participa da resposta ao estresse), sugere uma ligação entre o estresse e o crescimento tumoral, conforme mencionado por Nóbile.

Além disso, genes do neuroimunoma (NRG1, OLFM1 e WDR62) estão associados à progressão do hepatocarcinoma, bem como a condições de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade. Segundo Cabral-Marques, essa relação destaca a interdependência entre o sistema nervoso e o sistema imunológico, reforçando a ideia de que fatores psicológicos podem influenciar a saúde física.

Os pesquisadores acreditam que a conexão do neuroimunoma pode se aplicar a outras doenças, além das hepatites virais. Embora o estudo não tenha explorado diretamente a relação entre hepatite e condições psiquiátricas, há forte evidência de que o neuroimunoma pode estar ligado a manifestações psiquiátricas em pacientes com hepatite.

“Futuramente, o neuroimunoma poderá ser usado como um marcador para prever a severidade da hepatite e possíveis complicações psiquiátricas, permitindo compreender a base biológica desses sintomas, além da sua origem emocional”, conclui Nóbile.

Para mais detalhes, o artigo completo sobre a descoberta pode ser lido em: Journal of Medical Virology.

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Informações da Agência FAPESP

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