Pesquisa Foca no Registro de Pesticidas Naturais e Menos Tóxicos

Por Redação
4 Min

Novas Formulações de Nanopesticidas: A Busca por Produtos Sustentáveis

As novas formulações de nanopesticidas à base de ingredientes naturais têm ganhado destaque na literatura científica, frequentemente associadas a termos como "pesticida verde", "ecológico" e "com nanopartículas naturais". No entanto, a falta de um consenso sobre o que significa ser verdadeiramente "verde" permite que expressões semelhantes sejam usadas, mesmo que muitos ingredientes ativos sejam sintéticos e apenas encapsulados em polímeros naturais.

A Importância de Definir "Verde"

Um artigo de revisão publicado na revista Sustainable Materials and Technologies pelo Grupo de Nanotecnologia Ambiental da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp) ressalta que essa tendência "verde" é uma busca crescente na pesquisa mundial. Para a divulgação científica, a inclusão do termo "verde" tem sido eficiente, mas a legitimidade desse rótulo precisa ser questionada. A primeira autora do estudo, Vanessa Takeshita, explica que muitas vezes os ingredientes naturais são combinados com surfactantes sintéticos, o que torna o uso do termo "verde" impreciso.

Evolução e Necessidade de Eficiência

Nos últimos 20 anos, a nanotecnologia tem sido uma ferramenta essencial para aumentar a eficiência dos pesticidas, permitindo uma redução significativa nas doses aplicadas. Embora as nanoformulações da primeira geração já sejam mais seguras para o meio ambiente do que os produtos tradicionais, ainda enfrentam desafios para entrar no mercado. Segundo Takeshita, o foco inicial das pesquisas foi aumentar a eficiência e reduzir a quantidade de pesticidas no ambiente.

Características Naturais e Eficácia

A equipe liderada por Leonardo Fernandes Fraceto encontrou que formulações com ingredientes naturais apresentam níveis superiores de eficiência devido ao biorreconhecimento pelas plantas. "Quando utilizamos moléculas conhecidas, a interação se torna mais segura e eficaz", afirma Fraceto, enfatizando a importância de avançar em formulações mais sustentáveis.

Para ser considerado "verde", tanto o ingrediente ativo quanto o polímero e os adjuvantes devem ser de origem natural e ter uma produção limpa. A avaliação de toxicidade continua sendo uma necessidade, mesmo para produtos considerados ambientalmente corretos.

Processo de Registro no Brasil

No Brasil, o registro de agrotóxicos é regido pela Lei nº 14.785/2023, que envolve a análise conjunta de três órgãos: Ministério da Saúde (Anvisa), Ministério da Agricultura (Mapa) e Ministério do Meio Ambiente (MMA). Atualmente, não existem normas específicas para nanopesticidas, e cada produto é avaliado separadamente. A Europa está mais adiantada nesse aspecto, com diretrizes em desenvolvimento pela OCDE para facilitar a regulamentação desses produtos.

O caminho regulatório para nanoformulações é demorado, com prazos que podem ultrapassar cinco anos. As empresas devem demonstrar a eficácia dos novos produtos em comparação com os já existentes e fornecer dados que comprovem a segurança e a baixa toxicidade das nanoformulações.

O Desafio da Sustentabilidade na Indústria

É possível desenvolver produtos realmente sustentáveis, mas a indústria deve se adaptar e investir em tecnologias mais verdes. Estudos mostram que os produtores estão dispostos a pagar entre 22% e 40% a mais por nanoformulações que ofereçam maior eficiência e menor risco ao meio ambiente.

Conclusão

A pesquisa sobre nanopesticidas sugere que há um caminho promissor para a introdução de formulações realmente sustentáveis que possam beneficiar tanto a agricultura quanto o meio ambiente. Com os avanços em nanotecnologia, é esperado que novos produtos cheguem ao mercado, embora os desafios regulatórios e a busca por ingredientes cada vez mais naturais ainda persistam.

Para uma leitura mais aprofundada, acesse o artigo The green horizon of agricultural nanotechnology.

Informações da Agência FAPESP

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