Manejo Sustentável: Redução de Impacto para Recuperação de Florestas e Armazenamento de Carbono

Por Redação
4 Min

A adoção de técnicas de manejo sustentável com impacto reduzido na exploração de madeira pode promover a recuperação de florestas tropicais, como a Amazônia, ao estocar carbono a longo prazo e conservar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

Uma pesquisa publicada no Journal of Environmental Management mostra que boas práticas de manejo florestal aumentam a biomassa acima do solo, em contraste com métodos convencionais. Isso destaca o manejo florestal com exploração de impacto reduzido (MF-EIR) como uma estratégia eficaz para conciliar produção de madeira, conservação da floresta e mitigação das mudanças climáticas.

Importância da Biomassa

A biomassa, composta pela matéria orgânica viva e morta (incluindo plantas, árvores, animais e resíduos), é um indicador essencial na análise da recuperação florestal e no sequestro de carbono. O estudo, realizado entre 1993 e 2023 em uma fazenda em Paragominas, Pará, focou na silvicultura e manejo de florestas tropicais.

Metodologia da Pesquisa

Durante 30 anos, o diâmetro das árvores foi medido em dois sistemas de manejo: MF-EIR e convencional, além de uma parcela de controle não explorada. O estoque de biomassa foi estimado para diferentes áreas, incluindo espécies exploradas e sem valor madeireiro.

Os resultados indicaram que a área manejada com MF-EIR obteve condições estruturais similares a uma floresta madura, com um ganho médio de 70,68 megagramas por hectare (Mg ha⁻¹). Em contraste, a parcela de manejo convencional apresentou uma perda de biomassa de 11,35 Mg ha⁻¹, enquanto a área de controle permaneceu estável.

Resultados e Implicações

Ao longo do período de estudo, o MF-EIR alcançou estoques máximos de biomassa de 353,42 Mg ha⁻¹, superando as demais áreas analisadas. De acordo com o coordenador da pesquisa, Edson Vidal, esses dados corroboram a importância do manejo florestal nas discussões sobre mudança climática e podem contribuir para a formulação de metodologias relacionadas a serviços ecossistêmicos, como o mercado de carbono.

Legislação e Manejo Sustentável

O manejo sustentável é definido no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) como a administração da vegetação natural, visando benefícios econômicos, sociais e ambientais. A legislação exigiu planos de manejo a cada cinco anos, baseando-se em análises científicas para permitir uma extração planejada e controlada.

A exploração de impacto reduzido minimiza danos à floresta por meio de técnicas como zoneamento, planejamento detalhado de espécies e treinamento da equipe. Isso envolve a seleção de árvores para colheita, planejamento de estradas e redução de desperdícios.

Perspectivas Econômicas

Vidal ressalta que o estudo demonstra a viabilidade de integrar o uso econômico das florestas à conservação ambiental, fundamentado em ciência e políticas públicas. Em 2023, 94% da produção madeireira do Brasil oriunda de áreas de plantio gerou R$ 35,1 bilhões, com R$ 22,2 bilhões somente em madeira em tora.

A exploração de impacto reduzido alinha-se a estratégias econômicas, como REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) e Improved Forest Management (IFM), contribuindo para a recuperação da biomassa.

Parcerias e Futuro da Pesquisa

O artigo foi parte do projeto “Indo além do primeiro ciclo de colheita nas florestas tropicais da Amazônia Brasileira”, apoiado pela FAPESP e vinculado à Iniciativa Amazônia+10. O próximo passo envolverá instituições que participam dessa iniciativa para comparar resultados de biomassa em diferentes estados.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) é um compromisso crucial do Acordo de Paris, visando reduzir emissões de gases de efeito estufa. Os dados coletados sobre manejo florestal podem fortalecer essas metas.

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O estudo, “Impact of different management practices on tree biomass and carbon dynamics 30 years after logging in eastern Amazon”, pode ser acessado aqui.

Informações da Agência FAPESP

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