Estudo Revela Importância da Genética em Transtornos Mentais
Transtornos mentais, com suas causas multifatoriais, têm na genética uma parte ainda pouco explorada para diagnósticos e tratamentos. Um estudo inovador publicado na revista Nature por um consórcio internacional de pesquisadores analisou variantes genéticas comuns em 14 condições psiquiátricas, organizando-as em cinco grupos distintos, chamados fatores, que compartilham variantes entre si.
Os sintomas dos transtornos psiquiátricos são frequentemente inter-relacionados, o que dificulta o diagnóstico, tradicionalmente baseado em avaliações clínicas. O estudo identificou que condições como esquizofrenia e transtorno bipolar compartilham cerca de 80% das variantes genéticas, alinhando-se com observações clínicas anteriores.
Leia Também
Grupos de Transtornos Psiquiátricos
-
Fator 1: Transtornos compulsivos, incluindo anorexia nervosa e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), além de síndrome de Tourette e transtornos de ansiedade.
-
Fator 2: Esquizofrenia e transtorno bipolar, com características genéticas em comum que envolvem a expressão de genes em áreas do cérebro ligadas ao processamento da realidade.
-
Fator 3: Relacionado ao neurodesenvolvimento, inclui transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), sendo explicável por genes ativos no desenvolvimento inicial do cérebro.
-
Fator 4: Transtornos internalizantes como depressão e transtornos de ansiedade. Os genes mais significativos neste grupo estão relacionados à glia, sugerindo que essas condições estão mais ligadas à manutenção da estrutura cerebral.
- Fator 5: Abuso de substâncias, incluindo dependência de álcool e nicotina. Identificou-se variantes em genes responsáveis pela metabolização de álcool e resposta à nicotina, associando esses transtornos a fatores socioeconômicos e ambientais.
Implicações para Tratamentos
O estudo, utilizando a abordagem do Estudo de Associação Genômica Ampla (GWAS), utiliza dados de mais de 1 milhão de diagnosticados, promovendo novas perspectivas para tratamentos, incluindo o reposicionamento de medicamentos já aprovados.
Diversidade Genética e Futuro
É importante notar que as análises foram majoritariamente baseadas em dados de populações de origem europeia, mas há um esforço crescente no Brasil, através do Latin American Genomics Consortium (LAGC), para aumentar a representatividade da América Latina nos estudos relacionados à genética psiquiátrica.
O artigo Mapping the genetic landscape across 14 psychiatric disorders pode ser lido em Nature.
Metade da população global atenderá a critérios de um transtorno mental ao longo da vida. Este estudo destaca a complexidade da genética em relação às condições psiquiátricas, sugerindo uma intersecção entre variação genética e estresse ambiental.
Para mais informações sobre e a importância da genética na saúde mental, acesse Revista Pesquisa.
Informações da Agência FAPESP
Curtiu? Siga o Candeias Mix nas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, e Google Notícias. Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp e Telegram.

