Abordagem Inovadora na Remediação Ambiental de Poluentes Farmacêuticos
Um estudo recente publicado no Chemical Engineering Journal introduz uma nova estratégia para a remediação ambiental de poluentes farmacêuticos em fluxos d’água, utilizando um fenômeno conhecido como "sparks", que são microdescargas elétricas geradas durante a oxidação eletrolítica por plasma (PEO).
Como Funciona o Processo de PEO
No PEO, uma peça de alumínio mergulha em um líquido onde é aplicada uma tensão elétrica, resultando no crescimento de um revestimento de óxido. Durante esse processo, as faíscas se formam e geram temperaturas elevadas, sendo apelidadas de "segundo Sol". Essa técnica tem ampla aplicação em indústrias como a celular, aeronáutica e eletrônica, criando uma cobertura protetora que aumenta a resistência à corrosão e ao calor.
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Além de sua utilização industrial, materiais tratados com PEO já são usados para o tratamento de água e efluentes. A equipe liderada pelo professor Ernesto Chaves Pereira, da UFSCar, demonstrou que as faíscas geradas podem oferecer resultados superiores aos métodos convencionais de remoção de contaminantes.
Foco na Degradação de Contaminantes
Os contaminantes farmacêuticos representam uma preocupação crescente para cientistas e gestores em saúde pública devido aos seus efeitos adversos, mesmo em baixas concentrações. Esses poluentes podem afetar ecossistemas, provocar resistência bacteriana e persistir no ambiente devido à complexidade de suas moléculas.
Pereira destaca: “Fármacos são projetados para longa duração e, assim, persistem no ambiente. Sua degradação é complicada, e processos existentes muitas vezes não completam a transformação em CO₂ e água, resultando em subprodutos tóxicos”.
Experimentos e Resultados Promissores
Os testes focaram em três fármacos: ofloxacino, diclofenaco sódico e fluoxetina. Com concentrações tanto altas quanto baixas, os resultados mostraram que, em 60 minutos, foi possível eliminar 58% do diclofenaco, 60% do ofloxacino e 93% da fluoxetina. Esses resultados sugerem que a técnica pode ser eficaz em situações reais de contaminação em corpos d’água.
Diferentemente de métodos tradicionais, onde se usam catalisadores ou biotecnologias, o uso de faíscas permitiu uma carbonização eficiente dos contaminantes. Além disso, o procedimento se mostrou energeticamente mais viável.
Conclusão e Futuras Aplicações
A pesquisa estabelece o PEO como uma solução inovadora e sustentável para a remediação de poluentes farmacêuticos, assegurando a mineralização completa e minimizando a poluição secundária. Os próximos passos incluem a solicitação de patentes e a continuidade das pesquisas, que também visam a remoção de bactérias e derivados de petróleo.
O artigo completo pode ser lido em: Chemical Engineering Journal.
Esta pesquisa representa um avanço significativo nas tecnologias voltadas para a remediação ambiental, mostrando o potencial da aplicação de técnicas elétricas na conservação de ecossistemas aquáticos.
Informações da Agência FAPESP


