Duas pesquisas de cientistas brasileiras destacam o papel crucial das proteínas multifuncionais STIP1 e maspina em processos essenciais para o funcionamento celular. Esses estudos revelam novas funções proteicas que são fundamentais para entender como as células mantêm sua estrutura, se comunicam e se renovam, e têm implicações importantes para pesquisas sobre câncer, embriogênese e medicina regenerativa.
STIP1: A Guardiã da Pluripotência
Uma das pesquisas revela que a STIP1 (stress inducible protein 1) é vital para o desenvolvimento embrionário e a manutenção da pluripotência, a capacidade das células de se multiplicar e gerar diferentes tipos celulares. Essa proteína é crucial desde os primeiros estágios da vida, sendo essencial para a homeostase proteica. Ela atua como uma ponte, facilitando a interação entre proteínas chaperonas moleculares e suas proteínas-clientes.
Maspina: Reguladora da Morfologia Celular
A outra pesquisa evidencia a função da maspina na morfologia celular e na adesão epitelial. Reconhecida na literatura científica como um supressor tumoral, a maspina é fundamental para evitar a disseminação do câncer, especialmente no câncer de mama. A pesquisa demonstrou que a redução da maspina altera o contato entre células epiteliais, impactando sua forma e organização.
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Contribuições Acadêmicas
Ambos os estudos foram publicados na revista Communications Biology, do grupo Nature, e coordenados por cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Segundo Marilene Hohmuth Lopes, coordenadora do estudo sobre STIP1, a pesquisa básica é um caminho que requer tempo e dedicação, e sua concretização em publicações é uma validação do esforço coletivo em ciência.
Nathalie Cella, que lidera o estudo sobre maspina, ressalta a necessidade de investimento contínuo em ciência básica e na formação de jovens pesquisadores para avanços significativos.
Implicações para Medicina Regenerativa
O trabalho com camundongos geneticamente modificados por Lopes revelou que a STIP1 é essencial para manter as células-tronco em seu estado primordial, onde podem se diferenciar em qualquer tipo de tecido. Diminuições na STIP1 resultaram em vulnerabilidade ao estresse e instabilidade genética, enquanto aumentos da proteína promoveram crescimento e resistência celular. Esse conhecimento é promissor para estratégias de medicina regenerativa, que visa recuperar e regenerar tecidos danificados.
A Versatilidade da Maspina
No estudo da maspina, os pesquisadores utilizaram abordagens proteômicas e análises de imagem para demonstrar que a proteína ajuda a sustentar a célula, ligando-se a estruturas internas que conferem forma e estabilidade. A pesquisa, parte da tese de doutorado de Luiz Eduardo da Silva, explica a dualidade funcional da maspina, que pode atuar como protetor ou promotor do câncer dependendo do contexto celular.
Considerações Finais
Os artigos "Stress-inducible phosphoprotein 1 (STIP1) is a critical stemness regulator in mouse embryonic stem cells and early mammalian development" e "Maspin/SerpinB5 is a cytoskeleton-binding protein that regulates epithelial cell shape" estão disponíveis nas plataformas da Nature.
Essas descobertas não apenas ampliam nosso entendimento da biologia celular, mas também têm potenciais implicações para o tratamento e a compreensão de doenças complexas, como o câncer, reforçando a importância da pesquisa científica contínua.
Informações da Agência FAPESP
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