Nanopartículas de Ferro Eliminam Tuberculose em Camundongos: Potencial para Novos Tratamentos

Por Redação
4 Min

Um novo composto à base de ferro encapsulado em nanopartículas lipídicas demonstrou eficácia total no combate à tuberculose em pulmões de camundongos após 30 dias de tratamento. A pesquisa, realizada pelo Laboratório de Pesquisas em Tuberculose da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp), campus de Araraquara, sugere uma alternativa promissora para terapias mais curtas e menos tóxicas contra bactérias resistentes, uma das principais dificuldades atuais no tratamento da doença.

Tuberculose: Desafios e Tratamentos

Embora a tuberculose seja uma doença curável, ela continua a ser a infecção bacteriana mais mortal no mundo. O tratamento padrão exige no mínimo seis meses de uso diário de pelo menos quatro antibióticos, podendo se estender por até dois anos em casos de resistência, o que torna a adesão difícil e contribui para abandonos e falhas no tratamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, sem tratamento, a taxa de letalidade da tuberculose pode atingir 50%. Nos casos em que o tratamento correto é seguido, cerca de 85% dos pacientes conseguem se curar. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que, em 2024, foram registrados 84.308 novos casos e 6.025 mortes no Brasil, o maior número em mais de 20 anos. Mesmo com o tratamento gratuito disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), a adesão é um problema em populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua ou com dependência de álcool.

Inovação na Pesquisa de Fármacos

O grupo de pesquisa, liderado por Fernando Rogério Pavan, investiga moléculas antimicrobianas há duas décadas. No doutorado da pesquisadora Fernanda Manaia Demarqui, o foco foi a ferroína, um composto conhecido desde a década de 1950, tradicionalmente utilizado em sínteses químicas.

A proposta de pesquisa envolve o reposicionamento de fármacos, testando substâncias conhecidas para novos usos terapêuticos. A ferroína apresentou forte atividade contra o bacilo da tuberculose e potencializou a ação de fármacos como rifampicina e pretomanida, que são usados no tratamento convencional. O estudo revelou que a ferroína atua inibindo a síntese da parede celular do bacilo, semelhante ao mecanismo de ação de penicilinas.

Encapsulação do Composto

Para melhorar a estabilidade do composto, que poderia ser degradado no estômago, os pesquisadores o encapsularam em nanopartículas lipídicas. Essa abordagem propiciou uma liberação controlada do fármaco, aumentando sua eficácia e prolongando o tempo de ação no organismo.

Nos testes com camundongos infectados com Mycobacterium tuberculosis, a administração do composto resultou na eliminação completa da infecção pulmonar, superando o desempenho de antibióticos convencionais como a isoniazida.

Futuro do Tratamento da Tuberculose

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores reconhecem que ainda são necessários estudos adicionais de toxicidade e farmacocinética, além de ensaios com modelos de tuberculose resistente. A ausência de patente do composto pode facilitar seu desenvolvimento em escala industrial, potencialmente reduzindo custos e permitindo que o setor público se interesse pela transformação do composto em medicamento.

Se futuros estudos confirmarem a eficácia e segurança em humanos, há a expectativa de que esse novo tratamento leve a cursos mais curtos, com menos efeitos adversos e maior adesão, diminuindo o risco de resistência e o impacto da tuberculose no Brasil. A pesquisa oferece motivos para esperança na luta contra essa doença persistente.

Para mais detalhes, acesse o artigo completo: [Fe(phen)3]2+] and [Fe(phen)3]2+]-loaded nanostructured lipid system: in silico, in vitro, and in vivo efficacy against Mycobacterium tuberculosis, disponível em: pubs.acs.org.

Informações da Agência FAPESP

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