Conversão de Biomas Nativos e Perda de Carbono no Brasil
A conversão dos biomas nativos brasileiros para agricultura resultou na perda de aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carbono no solo. Essa quantidade de carbono, após conversão para dióxido de carbono (CO2) equivalente, corresponde a cerca de 5,2 bilhões de toneladas. Essa informação é fundamental para entender o impacto da agricultura nas emissões de gases de efeito estufa.
Estudo sobre Carbono no Solo Brasileiro
Um estudo recente, publicado na Nature Communications, destaca esses dados e foi conduzido por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Os pesquisadores coletaram informações ao longo de 30 anos, utilizando um vasto banco de dados que reúne 4.290 registros de 372 estudos.
Impacto das Práticas Agrícolas
Os autores observaram que mitigar essa perda de carbono é possível. A recuperação de cerca de um terço das áreas agrícolas do Brasil pode ser suficiente para atender às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) do Brasil sob o Acordo de Paris, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 59% a 67% até 2035. Para alcançar essa meta, práticas sustentáveis como a rotação de culturas, o plantio direto e sistemas integrados como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) são fundamentais.
Metodologia e Resultados do Estudo
A análise considerada incluiu todos os biomas brasileiros, evidenciando que a aplicação de técnicas sustentáveis poderia aumentar significativamente a quantidade de carbono estocado no solo. A Mata Atlântica demonstrou o maior acúmulo de carbono, com estoques 86% superiores em comparação à Caatinga e 36% em relação ao Cerrado nas camadas de solo mais superficiais.
Além de quantificar a perda de carbono, o estudo também identificou as conversões mais impactantes em cada bioma. Transformar vegetação nativa em monocultura na Mata Atlântica resultou em uma perda de 33% de carbono no solo, enquanto na Amazônia, a transição para práticas agrícolas mais diversificadas poderia resultar em um aumento potencial de 14,1% de carbono.
Políticas Públicas e Sustentabilidade
Os pesquisadores afirmam que os resultados podem guiar políticas públicas e iniciativas do setor privado voltadas para práticas agrícolas sustentáveis. Isso é crucial para o desenvolvimento de um mercado de créditos de carbono eficaz e sustentável no Brasil. A metodologia empregada, que converte carbono em CO2 equivalente, foi decisiva para as estimativas apresentadas.
Futuras Pesquisas e Desenvolvimento
O projeto Carbon Countdown, lançado em parceria entre a Shell, a Petrobras e o CCARBON, visa criar o maior banco de dados de estoques de carbono do Brasil, utilizando metodologia padronizada para coletar dados em todo o país. Essas iniciativas representam um avanço significativo na compreensão das interações entre práticas agrícolas e as emissões de carbono, oferecendo perspectivas promissoras para futuras pesquisas e inovações em políticas de sustentabilidade.
Para mais detalhes, consulte o artigo completo, Soil carbon debt from land use change in Brazil.
Informações da Agência FAPESP
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