Pesquisa desenvolve composto promissor para combate à malária
Pesquisadores brasileiros descobriram um composto sintético que pode tratar e bloquear a transmissão da malária, atingindo três fases do ciclo da doença. Esta nova molécula é capaz de eliminar o Plasmodium vivax e o Plasmodium falciparum, erradicando a forma assexuada do parasita no sangue e fígado humano, além de impedir sua transmissão para mosquitos.
Eficácia contra o Plasmodium vivax
Um dos principais destaques deste composto é sua eficácia contra o Plasmodium vivax, a espécie predominante no Brasil, que é difícil de cultivar continuamente em laboratório. A pesquisa, realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Rondônia, utilizou sangue de pacientes infectados. Anna Caroline Aguiar, professora da Unifesp e coautora do estudo, ressaltou a importância dessa descoberta.
Colaboração e apoio na pesquisa
O estudo contou com a colaboração do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), da FAPESP, e o apoio de instituições como a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade Federal de São Carlos. Financiamentos através de Projetos Temáticos da FAPESP também foram fundamentais para o avanço da pesquisa.
Mecanismo de ação
No artigo publicado na revista ACS Omega, os pesquisadores detalharam como o composto, derivado de 4-quinolonas naturais, bloqueia a infecção hepática, combate os estágios sanguíneos da malária e impede a transmissão para o mosquito vetor. Em estudos com cultura celular, foi observado que a molécula inibe a formação do parasita nas fases de desenvolvimento dentro do mosquito, prevenindo a transmissão da doença.
Três fases do ciclo da malária
A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, que tem um ciclo de vida envolvendo humanos e mosquitos Anopheles. Ela se divide em três fases:
- Fase Hepática: O mosquito infectado injeta esporozoítos no humano, que se deslocam para o fígado e se multiplicam.
- Fase Sanguínea: Os parasitas retornam à corrente sanguínea e invadem os glóbulos vermelhos, causando sintomas como febre e calafrios.
- Fase de Transmissão: Outro mosquito que pica uma pessoa infectada ingere os parasitas, reiniciando o ciclo.
Potencial de prevenção
Aguiar explicou que a nova molécula inibe um complexo enzimático essencial para a produção de pirimidinas, blocos fundamentais do DNA do parasita. Isso torna o Plasmodium incapaz de se replicar, o que é crucial para a interrupção do ciclo da malária.
Desafios e perspectivas futuras
Embora a nova molécula apresente grande potencial, ainda há um longo caminho até que ela se torne um fármaco eficaz. Atualmente, a malária é responsável por cerca de 600 mil mortes anuais, a maioria na África. Rafael Guido, coautor do estudo, enfatizou que, apesar de existirem tratamentos disponíveis, o Plasmodium é capaz de desenvolver resistência, justificando o investimento no desenvolvimento deste novo medicamento.
Para mais detalhes, consulte o artigo Evaluation of the activity of 4-quinolones against multi-life stages of Plasmodium spp..
Informações da Agência FAPESP
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