A Influência do DDT nas Aves Marinhas: Um Estudo Revolucionário
No livro "Primavera Silenciosa" (1962), Rachel Carson expôs os efeitos devastadores do pesticida DDT, que levou à morte de aves, inclusive da emblemática águia-americana. O DDT tornou as cascas dos ovos mais finas, resultando em quebras durante o processo de incubação. Essa obra é considerada um marco no surgimento do movimento ambientalista moderno.
Proibição do DDT e Seus Impactos
Embora a maior parte dos países desenvolvidos tenha banido o DDT nos anos 1970, no Brasil a proibição agrícola só ocorreu em 1985. O uso permaneceu liberado para o controle de vetores de doenças como o Aedes aegypti até que, em 2009, uma lei proibiu definitivamente sua utilização, alinhando-se à Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.
Novas Evidências de Contaminação em Aves
Um estudo recente, publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment, revelou novas evidências da presença de DDT e outros poluentes orgânicos persistentes (POPs) em aves marinhas. A pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi liderada pela pesquisadora Janeide de Assis Guilherme Padilha, da Universidade do Minho, Portugal.
A Pesquisa
Os pesquisadores analisaram fígados de carcaças de seis espécies de aves marinhas na costa do Rio Grande do Sul durante suas migrações para o Atlântico Sul. Também foi realizada uma análise do sangue de atobás-pardos (Sula leucogaster) nas Ilhas São Pedro e São Paulo, a cerca de mil quilômetros da costa brasileira. Surpreendentemente, os atobás-pardos, mesmo em um local remoto, apresentaram contaminação por DDT e bifenilas policloradas (PCBs), antes usadas em equipamentos elétricos.
Resultados e Implicações
Os resultados foram surpreendentes, mostrando semelhanças nos níveis de POPs entre as espécies, apesar das diferentes dietas. Fatores como água e alimentação são os principais vetores da contaminação nas aves marinhas. Apesar das expectativas de que aves maiores, como os albatrozes, tivessem maiores concentrações de poluentes devido ao seu nível trófico mais alto, a pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis) apresentou os valores mais elevados de PCBs e Mirex.
Hipóteses para Contaminação
Outros estudos indicam que a localização geográfica influencia os níveis de contaminação. Por exemplo, atobás-pardos de diferentes locais apresentaram perfis variados de contaminação. Populações nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, mostraram maior concentração de estanho, possivelmente devido à proximidade com áreas urbanas.
Análises Futuras e Novas Perspectivas
O estudo atual analisou fígados de aves já falecidas e sangue de aves vivas, ressaltando a importância de diferentes tipos de tecido na avaliação da contaminação. Além disso, Padilha está investigando o impacto da poluição plástica nas aves marinhas, já que alguns POPs se acumulam em plásticos no oceano.
Para acessar o artigo completo, acesse: Bioaccumulation of legacy POPs in seabirds.
Esta pesquisa evidencia a necessidade urgente de monitoramento e contenção da poluição em aves marinhas, um passo fundamental para a preservação do ecossistema marinho.
Informações da Agência FAPESP
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