Um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) alerta sobre os impactos negativos do efeito sanfona na saúde metabólica feminina. A pesquisa indica que mulheres que enfrentaram repetidos ciclos de perda intencional e reganho não intencional de peso apresentam um perfil cardiometabólico desfavorável e menor atividade da gordura marrom. Essa gordura, conhecida por auxiliar no gasto de energia, destaca que o problema vai além da variação de peso, refletindo no acúmulo progressivo de gordura corporal ao longo do tempo.
O estudo, apoiado pela FAPESP e publicado na Nutrition Research, foi realizado no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes do Gastrocentro-Unicamp. Sob a orientação da pesquisadora Ana Carolina Junqueira Vasques, a pesquisa também contou com a participação de outros especialistas.
Atividade do Tecido Adiposo Marrom
O foco do estudo foi a atividade do tecido adiposo marrom (BAT), uma forma de gordura com crescente interesse na pesquisa científica devido ao seu papel no combate à obesidade, diabetes e dislipidemias. Diferente do tecido adiposo branco, que armazena energia, o BAT queima glicose e lipídios, contribuindo para o gasto energético do organismo. "Esse tecido possui alta atividade metabólica, rica em mitocôndrias, que são responsáveis pela produção de energia nas células", explica Vasques.
Embora por muito tempo se pensasse que a gordura marrom existia apenas em recém-nascidos, pesquisas de 2009 revelaram que adultos também possuem BAT, especialmente na região supraclavicular, perto do pescoço. Desde então, o volume de pesquisas sobre o tema aumentou.
Metodologia do Estudo
O estudo envolveu 121 mulheres entre 20 e 41 anos, classificadas em grupos baseados em seu histórico de efeito sanfona. As participantes passaram por um protocolo de exposição ao frio (18 °C), um método reconhecido por ativar o BAT, evitando a indução de tremores que poderia alterar o gasto energético.
A atividade do BAT foi monitorada por meio de termografia infravermelha, que captou variações de temperatura na região, permitindo quantificar a ativação do BAT. Além disso, os pesquisadores analisaram indicadores como percentual de gordura corporal, gordura visceral, glicemia, perfil lipídico e pressão arterial.
Resultados e Implicações
Os resultados mostraram que as mulheres classificadas como "cicladoras" apresentavam maior quantidade de gordura corporal e piores indicadores metabólicos, além de menor atividade de gordura marrom. Embora o efeito sanfona estivesse associado à redução da atividade do BAT, a análise aprofundada concluiu que essa relação era mediada pelo acúmulo de gordura corporal.
"As dietas restritivas acionam mecanismos de defesa que dificultam a manutenção do peso estabilizado, resultando em maior ganho de gordura em detrimento da massa muscular", destaca Vasques. Essa tendência leva ao aumento da gordura visceral, que está diretamente ligada à redução da atividade do BAT.
Conclusão
Embora a gordura marrom possa ser influenciada pela atividade física e exposição ao frio, não deve ser considerada uma solução isolada para o emagrecimento. Vasques enfatiza que o manejo da obesidade deve priorizar não apenas a redução do peso, mas a qualidade da composição corporal e a preservação da massa muscular. "É essencial implementar estratégias de tratamento da obesidade que promovam mudanças comportamentais duradouras", conclui.
Para mais informações, acesse o artigo completo sobre o impacto do efeito sanfona na saúde cardiometabólica feminina aqui.
Informações da Agência FAPESP
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