Como Falhas na Higiene e Manipulação de Alimentos Aumentam o Risco de Surtos Bacterianos em Lares Brasileiros

Por Redação
4 Min

Práticas de Higiene Alimentar Inadequadas em Domicílios Brasileiros

A pesquisa nacional recente identificou que um número significativo de brasileiros adota práticas inadequadas de higiene e manipulação de alimentos em casa. Entre os comportamentos prejudiciais, destaca-se o lavar carnes na pia e a falta de higienização adequada de vegetais. O estudo foi realizado em 5 mil domicílios de várias regiões do Brasil, abrangendo diferentes níveis de renda.

Riscos de Doenças Transmitidas por Alimentos

Conduzido pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), o trabalho revelou lacunas preocupantes nos comportamentos dos brasileiros, aumentando o risco de surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). Os resultados foram publicados na revista Food and Humanity.

De acordo com Uelinton Manoel Pinto, pesquisador associado ao FoRC, as evidências sobre as práticas de manipulação de alimentos eram escassas, embora já se soubesse que muitas pessoas não seguem as recomendações adequadas para a segurança alimentar.

Metodologia da Pesquisa

Os pesquisadores utilizaram um questionário online com 29 perguntas, distribuído via internet e listas de e-mails. A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2020 e abril de 2021, durante a pandemia de COVID-19, período em que muitos redobraram os cuidados sanitários.

Resultados Reveladores

Apesar do aumento na conscientização sobre limpeza, apenas 38% dos participantes afirmaram higienizar adequadamente os vegetais. A correta higienização é crucial, já que esses alimentos geralmente são consumidos crus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda o primeiro passo como a lavagem em água corrente, seguida de uma solução sanitizante.

Outros dados preocupantes incluem que metade dos participantes lavam carne na pia da cozinha, enquanto uma parcela considerável consome carne malpassada e ovos crus. Essas práticas aumentam o risco de contaminação cruzada e infecções alimentares.

Armazenamento Inadequado

O estudo também destacou comportamentos inadequados em relação ao armazenamento de alimentos: 39% dos brasileiros descongelam alimentos em temperatura ambiente e 11% não refrigeram sobras de refeições prontas em menos de duas horas. A orientação é refrigerar esses alimentos o mais rápido possível, pois a proliferação de microrganismos pode ser rápida.

Uma segunda fase da pesquisa envolveu 216 participantes da Região Metropolitana de São Paulo, que registraram as temperaturas de suas geladeiras. Os resultados mostraram que 91% operavam na faixa ideal, entre 0 °C e 10 °C, fundamental para o controle da segurança alimentar.

Influência da Renda

A análise estatística revelou uma correlação direta entre a renda familiar e a segurança dos hábitos alimentares. Famílias de renda mais alta adotam práticas mais seguras, enquanto aquelas com menor renda tendem a usar métodos menos eficazes, como a utilização de vinagre diluído para a lavagem de vegetais.

Conclusão

Estes dados não apenas oferecem um panorama dos hábitos de higiene alimentar da população brasileira, mas também podem embasar futuras pesquisas sobre os impactos na saúde associados a essas práticas inadequadas. O artigo completo pode ser acessado em sciencedirect.com.

Palavras-Chave

Práticas de higiene alimentar, doenças transmitidas por alimentos, manipulação de alimentos, segurança alimentar, Brasil, pesquisa em alimentos, armazenamento de alimentos, contaminação cruzada, renda e hábitos alimentares.

Informações da Agência FAPESP

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