Brasileira Contribui para Ampliar Diversidade Genética Africana em Bancos de Dados Públicos

Por Redação
4 Min

Continente Africano e Genética: O Projeto AGenDA

O continente africano, com mais de 2 mil grupos etnolinguísticos e considerado a origem da espécie humana, apresenta uma notável sub-representação em bancos de dados de genomas. Esses dados são fundamentais para estudar doenças que afetam diferentes grupos étnicos e, consequentemente, direcionar tratamentos eficazes.

Para preencher essa lacuna de conhecimento sobre a diversidade genética africana, um grupo de pesquisadores liderados por cientistas africanos está realizando um projeto de coleta e sequenciamento de genomas em oito países do continente. Além da África do Sul, que coordena parte da iniciativa, outras nações estão envolvidas, juntamente com parceiros internacionais.

Os desafios e próximos passos do projeto, denominado AGenDA (Avaliando a Diversidade Genética na África), foram detalhados em um artigo publicado na revista Nature.

No Brasil, a professora Iscia Lopes-Cendes, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), está sequenciando 750 amostras de DNA coletadas em Angola. A coordenação da coleta e da extração do DNA no país foi liderada por Maria Madalena Chimpolo, das universidades angolanas Katyavala Bwila e Agostinho Neto.

O AGenDA é uma extensão do projeto H3Africa (Human Heredity and Health in Africa), que há cerca de uma década buscou unir dados genéticos de todo o continente. Apesar dos avanços, algumas regiões ainda permanecem sub-representadas. O objetivo atual é incluir populações que ficaram de fora da primeira iniciativa.

Lopes-Cendes, pesquisadora principal do Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (BRAINN), destaca que o projeto não apenas contribuirá para a medicina de precisão, mas também fornecerá insights sobre a diversidade genética brasileira. A rota de Angola, que forneceu cerca de 40% dos 10 milhões de africanos trazidos para as Américas, é crucial para entender essa conexão.

É fundamental ressaltar que todo o processo é conduzido por pesquisadores africanos, garantindo que os dados permaneçam no continente. Mesmo amostras sequenciadas fora da África retornarão para onde foram coletadas, fortalecendo a infraestrutura de pesquisa local.

Avanços e Projeções Futuras

O projeto H3Africa resultou no sequenciamento de 432 genomas de indivíduos de 50 grupos etnolinguísticos em 13 países. Em um estudo publicado em 2020 na revista Nature, foram identificadas mais de 3 milhões de novas variantes genéticas, ressaltando a vasta variabilidade presente no continente.

Ainda assim, muitos dos 2 mil grupos etnolinguísticos permanecem não amostrados. O esforço atual visa incluir populações negligenciadas anteriormente, como falantes de línguas afro-asiáticas e caçadores-coletores. As amostras estão sendo coletadas em países como Angola, República Democrática do Congo, Ilhas Maurício, Quênia, Líbia, Ruanda, Tunísia e Zimbábue.

Lopes-Cendes conclui que a colaboração pode servir como modelo para estimular mais pesquisas e estruturar instituições de pesquisa africanas, muitas das quais enfrentam desafios significativos de financiamento.

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Para mais informações, acesse o artigo completo em Nature: Enriching African genome representation through the AGenDA Project.

Informações da Agência FAPESP

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