Descubra como o Nervo Simpático Influencia a Resposta Imunológica na Sepse

Por Redação
4 Min

O Papel do Nervo Esplâncnico Maior na Resposta Imunológica

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelaram que o nervo simpático, especialmente sua ramificação conhecida como nervo esplâncnico maior, desempenha um papel crucial na resposta imunológica. Essa ramificação regula seletivamente subgrupos de neutrófilos, as células essenciais para a defesa do organismo, responsáveis por combater e eliminar patógenos durante infecções graves.

Estudo Financiado pela FAPESP

A descoberta faz parte de um Projeto Temático financiado pela FAPESP e foi publicada na revista científica Brain, Behavior, and Immunity. Durante a pesquisa, testes com modelos animais demonstraram que o nervo esplâncnico maior tem a capacidade de regular os neutrófilos de maneira seletiva, destacando-se como um “potenciômetro” que ajusta a resposta imune no local da infecção.

Resultados Significativos sobre Neutrófilos

Os experimentos mostraram que interromper a comunicação desse nervo aumentou a eficácia de um subgrupo específico de neutrófilos, especialmente no peritônio e no baço. A remoção do nervo levou a uma redução nos neutrófilos quiescentes, que têm características imunossupressoras, sem impactar outras funções imunológicas, como as dos macrófagos, as células que ajudam a controlar a inflamação.

Avanços Tecnológicos e Terapias Futuras

Os pesquisadores utilizaram tecnologias avançadas, como o sequenciamento de RNA de célula única, para identificar mudanças específicas nas subpopulações de neutrófilos relacionadas à modulação pelo nervo esplâncnico. Esses resultados indicam um potencial promissor para direcionar futuras terapias personalizadas no tratamento da sepse.

Implicações para a Modulação da Resposta Inflamatória

Uma das implicações mais promissoras do estudo é o uso de bioeletrônica para modular o nervo simpático de forma localizada e influenciar a resposta inflamatória. No entanto, desafios significativos permanecem na necessidadede desenvolver ferramentas rápidas para identificar fenótipos específicos dos pacientes, essenciais para personalizar os tratamentos. Hoje, testes como análises ômicas podem levar semanas, um tempo incompatível com a dinâmica da sepse.

Compreendendo a Sepse

A sepse ocorre quando a resposta imune se torna excessiva, levando a danos colaterais que podem comprometer órgãos vitais. Essa condição complexa apresenta sintomas variados, como febre alta, hipotermia e queda de pressão arterial. O desafio no tratamento é exacerbado pela variedade de padrões de resposta à terapia.

Novas Descobertas no Tratamento da Sepse

Desde o início do projeto, a equipe progrediu na compreensão da sepse, destacando a descoberta de um eixo de comunicação entre o baço e o fígado, mediado pelo leucotrieno B4 (LTB4). Essa molécula atua como um mensageiro químico que modula a intensidade da inflamação, essencial para coordenar a resposta inflamatória sistêmica.

Considerações Finais

Entender como órgãos diferentes interagem na regulação da inflamação sistêmica é fundamental para expandir nosso conhecimento sobre a sepse e oferece novas perspectivas para o tratamento de condições inflamatórias graves. Essas descobertas podem abrir caminho para o desenvolvimento de terapias personalizadas que maximizem a eficácia da resposta imune e minimizem danos colaterais.

Informações da Agência FAPESP

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