Desmatamento na Amazônia Aumenta Temperatura da Superfície em 3°C Durante a Estação Seca

Por Redação
5 Min

O Impacto do Desmatamento na Amazônia: Mudanças Climáticas e seus Efeitos

O desmatamento na Amazônia está gerando mudanças climáticas regionais significativas em comparação com áreas que mantêm mais de 80% de cobertura florestal. A perda da vegetação resulta em aumento da temperatura da superfície, diminuição da evapotranspiração e redução da precipitação na estação seca. Além disso, observa-se uma diminuição no número de dias de chuva.

Esses achados, baseados em dados de satélite e publicados na revista Communications Earth & Environment, evidenciam que regiões com baixa cobertura florestal (inferior a 60%) apresentam condições climáticas semelhantes às áreas de transição entre floresta úmida e savana. Durante a estação seca, a temperatura da superfície atinge em média 3 °C mais alta, enquanto a evapotranspiração e a quantidade de chuvas são 12% e 25% menores, respectivamente.

Observou-se ainda uma média de 11 dias a menos de chuva em áreas com cobertura florestal reduzida. Esses dados indicam que o desmatamento não apenas afeta a quantidade de chuva, mas também sua distribuição.

Consequências do Desmatamento

As condições climáticas mais secas e quentes resultantes do desmatamento aumentam a degradação florestal, elevando a mortalidade de árvores e a suscetibilidade a incêndios florestais. Esse cenário compromete a biodiversidade ao favorecer espécies oportunistas em detrimento das nativas.

A pesquisa destaca a urgência em controlar o desmatamento e restaurar áreas degradadas, crucial para a resiliência climática da Amazônia e para as atividades econômicas que dependem do clima, como a agricultura. Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), enfatiza a necessidade de um debate abrangente sobre a importância das florestas, considerando não apenas aspectos ambientais, mas também sociais e econômicos.

Legislação e a Importância da Cobertura Florestal

O estudo reforça a importância de manter a cobertura florestal mínima de 80% nas propriedades rurais da Amazônia, conforme estipula o Código Florestal. Essa legislação é vital para a proteção ambiental e estabelece diretrizes para a utilização sustentável do solo.

As regiões desmatadas enfrentam condições mais secas, impactando diretamente a produção agrícola. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconheceu na COP30 que as florestas são aliadas da agroindústria, contribuindo para a produtividade e resiliência agrícola.

O Estado da Amazônia

A Amazônia brasileira, que abrange quase metade do território nacional, perdeu 13% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2024, totalizando cerca de 520 mil km². O desmatamento e a expansão de pastagens e agricultura são principais responsáveis por essa redução. Apesar da diminuição do ritmo de desmatamento nos últimos anos, a remoção de 6,3 mil km² de vegetação nativa em 2024 alerta para a necessidade de ações urgentes.

Em 2024, a temperatura média do planeta ultrapassou a marca de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Emissões de gás carbônico provenientes de combustíveis fósseis também atingiram níveis recordes, reforçando a urgência de ações contra o aquecimento global.

Rumo à Sustentabilidade

O estudo indica que a restauração da cobertura florestal pode trazer de volta serviços ecossistêmicos valiosos, como a redução da temperatura, aumento da ciclagem de água e fortalecimento dos estoques de carbono, garantindo maior segurança hídrica e alimentar para o Brasil.

A pesquisa, incluída no doutorado de Marcus Silveira, analisou amostras de 55 x 55 km na Amazônia, categorizadas por níveis de desmatamento. Os impactos climáticos foram mais severos em áreas com menos de 40% de cobertura florestal, onde a temperatura da superfície foi até 4 °C superior às áreas de referência.

Os resultados evidenciam a importância da conservação florestal não apenas para a biodiversidade, mas também para a saúde climática e econômica do Brasil.

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O artigo completo, intitulado Observed shifts in regional climate linked to Amazon deforestation, está disponível em nature.com/articles/s43247-025-02900-2.

Informações da Agência FAPESP

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