Descoberta dos Geraisitos: Primeira Ocorrência de Tectitos no Brasil
Pesquisadores brasileiros identificaram, pela primeira vez, um campo de tectitos em Minas Gerais. Os tectitos, vidros naturais formados pelo impacto de alta energia de corpos extraterrestres na superfície da Terra, foram batizados de geraisitos. Esta descoberta amplia o registro de impactos na América do Sul, que ainda é considerado incompleto.
O que São Tectitos?
Os tectitos são materiais vítreos formados a partir do derretimento de rochas devido a impactos de meteoritos. Até o momento, apenas cinco grandes campos de tectitos eram reconhecidos no mundo: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize. A nova descoberta no Brasil, especificamente em três municípios do norte de Minas Gerais, passa a integrar esse grupo seleto.
Localização e Características dos Geraisitos
Os geraisitos foram inicialmente localizados em Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, em uma faixa de aproximadamente 90 quilômetros. Desde então, novas ocorrências foram registradas na Bahia e Piauí, estendendo a área conhecida para mais de 900 quilômetros. Os pesquisadores reuniram mais de 600 espécimes, variando de menos de 1 grama a 85,4 gramas.
As formas dos geraisitos incluem esféricas, elipsoidais e discoides. Sob luz intensa, esses fragmentos, que são inicialmente opacos, tornam-se translúcidos e apresentam uma coloração verde-acinzentada.
Composição e Análises Geoquímicas
As análises indicam que os geraisitos possuem alto teor de sílica (SiO₂), entre 70,3% e 73,7%. Além disso, os teores de óxidos de sódio (Na₂O) e potássio (K₂O) variam entre 5,86% e 8,01%. As pequenas variações em elementos-traço, como cromo e níquel, sugerem que o material original não era homogêneo.
A presença de lechatelierita, uma forma de sílica vítrea, reforça a origem por impacto. Um dos critérios que classifica o geraisito como tectito é o seu baixíssimo teor de água, medido em 71 a 107 ppm, contra 700 ppm a 2% encontrada em vidros vulcânicos como a obsidiana.
Datação e Origem do Impacto
Os resultados da datação por isótopos de argônio indicam um evento ocorrido há cerca de 6,3 milhões de anos. Até o momento, não foi identificada nenhuma cratera associada ao impacto, o que não é incomum entre grandes campos de tectitos.
A geoquímica isotópica sugere que o material fundido provenha de crosta continental arqueana, indicando que a busca pela cratera deve focar na região do cráton do São Francisco, uma das áreas geologicamente mais antigas da América do Sul.
Impactos e Futuras Pesquisas
A equipe de pesquisa está atualmente modelando impactos para estimar parâmetros como energia liberada e volume de rocha fundida, à medida que novos dados sobre a distribuição dos geraisitos são obtidos. Esta descoberta é significativa para o registro geológico da América do Sul e propõe que tectitos podem ser mais comuns do que se pensava, porém frequentemente confundidos com vidros comuns.
Para mais informações sobre esta pesquisa, o artigo "Geraisite: The First Tektite Occurrence in Brazil" está disponível aqui.
Informações da Agência FAPESP

