Riscos Nutricionais do Uso Prolongado de Omeprazol: Estudo Revela Preocupações

Por Redação
4 Min

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) alerta sobre os riscos do uso prolongado de inibidores da bomba de prótons (IBPs), como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol. Essas medicações, frequentemente prescritas para o tratamento de distúrbios gástricos, podem impactar negativamente a absorção de nutrientes essenciais, levando a deficiências nutricionais, como anemia e comprometimento da saúde óssea. Os detalhes da pesquisa foram publicados na revista ACS Omega.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP, investigou os efeitos do uso contínuo desses medicamentos na absorção de minerais vitais, incluindo ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio, em ratos. Os resultados mostraram que o uso dos IBPs alterou a distribuição desses nutrientes, com acúmulo no estômago e desequilíbrios no baço e fígado. Os pesquisadores notaram aumento dos níveis de cálcio no sangue e diminuição do ferro, levantando preocupações sobre o risco de osteoporose e anemia.

Os ratos participantes do estudo foram agrupados em controle e tratados com omeprazol durante 10, 30 e 60 dias, representando diferentes períodos de uso prolongado típicos em humanos. Um dos achados mais alarmantes foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea, sugerindo a possibilidade de retirada desse mineral dos ossos e risco de osteoporose no futuro. Embora os resultados sejam preocupantes, a pesquisa aponta a necessidade de estudos adicionais para confirmar essas hipóteses, conforme ressalta o professor Angerson Nogueira do Nascimento, coordenador do estudo.

Os IBPs atuam inibindo a enzima H+, K+, ATPase, essencial para a produção de ácido clorídrico no estômago. Embora sejam eficazes no alívio de sintomas de úlceras, gastrite e refluxo, sua ação reduz a acidez gástrica, dificultando a absorção de nutrientes que dependem desse ambiente ácido.

Estima-se que o omeprazol esteja no mercado há mais de 30 anos, sendo utilizado rotineiramente, muitas vezes sem supervisão médica. A pesquisadora Andréa Santana de Brito alerta que o uso banalizado desses medicamentos, especialmente para sintomas leves como azia, pode resultar em consequências adversas. Com a nova portaria da ANVISA, que libera a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica, a preocupação cresce, pois isso pode incentivar a automedicação e a utilização contínua sem acompanhamento.

A ANVISA, por sua vez, defende que a inclusão do omeprazol 20 mg como medicamento isento de prescrição (MIP) busca racionalizar seu uso e promover a segurança do paciente. Ela enfatiza a importância de limitar o tratamento a, no máximo, 14 dias e de encorajar a busca por orientação médica em casos de persistência dos sintomas.

A pesquisa se concentrou no omeprazol, mas as moléculas mais modernas, como pantoprazol e esomeprazol, podem potencializar os efeitos colaterais, já que possuem um mecanismo de ação mais potente e duradouro. Os pesquisadores observam que, embora os impactos dos IBPs na absorção de nutrientes fossem conhecidos, este estudo amplia a compreensão ao incluir magnésio e zinco nas análises. Eles destacam a necessidade de um uso racional desses medicamentos e a importância de uma avaliação médica individualizada para possíveis suplementações.

Para mais informações, o artigo completo intitulado "Evaluation of the long-term administration of proton pump inhibitors (PPIs) in the mineral nutrient’s bioavailability" está disponível em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c07700.

Informações da Agência FAPESP

Compartilhe Isso