Estudo com Animais Revela Importância da Amamentação na Qualidade da Microbiota Intestinal

Por Redação
4 Min

Influência do Ambiente Pós-Natal na Microbiota Intestinal e Hipertensão

Um estudo inédito do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revela que o ambiente pós-natal, especialmente durante a amamentação, tem um impacto significativo na microbiota intestinal de ratos, associada à hipertensão arterial.

Resultados Relevantes sobre Microbiota Intestinal e Pressão Arterial

Os resultados, publicados na revista científica Pharmacological Research, mostram que alterações na microbiota intestinal começam nas primeiras semanas de vida, antes mesmo do aumento da pressão arterial. Essa descoberta desafia a noção de que o desequilíbrio microbiano é apenas uma consequência da hipertensão.

Protocólo de Amamentação Cruzada

A pesquisa, conduzida durante o doutorado da biomédica Patrizia Dardi, comparou ratos geneticamente predispostos à hipertensão, conhecidos como "SHR". Aqueles amamentados por mães normotensas apresentaram uma redução de aproximadamente 5% na pressão arterial na fase adulta, em comparação aos que foram alimentados por mães hipertensas.

"O mais interessante é que essa redução ocorre sem que o animal deixe de ser hipertenso. Uma queda de 10 mmHg já é suficiente para reduzir significativamente o risco de danos a órgãos como coração, rins e retina", comentou Luciana Venturini Rossoni, orientadora do estudo.

Refinamento da Microbiota

Além da pressão arterial, a composição da microbiota intestinal foi analisada nas primeiras semanas de vida. Os SHR já demonstravam disbiose, caracterizada pelo desequilíbrio das bactérias intestinais. Embora a diversidade bacteriana não tenha aumentado, os ratos amamentados por mães normotensas tinham uma microbiota mais refinada, semelhante à dos animais normotensos.

"Esses grupos minoritários são essenciais para o metabolismo e o sistema imunológico do hospedeiro", explicou Dardi.

Interações entre Microbiota e Hipertensão

Os filhotes normotensos amamentados por mães hipertensas apresentaram alterações na microbiota, mas sem mudanças nos níveis de pressão arterial na fase adulta. Isso evidencia que a hipertensão é resultado de uma complexa interação entre microbiota e fatores biológicos.

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Metabólitos e Saúde Intestinal

O estudo também investigou compostos produzidos pelas bactérias intestinais, como o butirato e o sulfeto de hidrogênio (H2S). O butirato, conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, teve sua produção reduzida nos ratos com predisposição à hipertensão nas primeiras semanas de vida, sugerindo alterações funcionais precoces na microbiota.

Embora a amamentação por mães normotensas não tenha revertido essa produção, observou-se uma melhora na absorção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), graças à expressão aumentada de transportadores intestinais. A quantificação do H2S nas fezes mostrou que os SHR apresentaram maior produção desse composto, associada ao aumento das bactérias produtoras.

Implicações da Pesquisa para a Saúde Pública

Os resultados sugerem que a disbiose intestinal antecede a hipertensão, apontando para a possibilidade de intervenções precoces, como a modulação da microbiota na infância, para prevenir a doença. O estudo também levanta questões sobre a microbiota de mães hipertensas e a transferência para os filhotes.

"Precisamos entender melhor a transferência da microbiota materna, que ocorre no parto e através da amamentação e contato físico, para avaliar se a disbiose do filhote tem origem materna", concluiu Rossoni.

Esses achados abrem novas perspectivas para a pesquisa em microbiota, hipertensão e saúde intestinal, destacando a importância de intervenções em estágios iniciais da vida.

Informações da Agência FAPESP

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