Neutrófilos: Mecanismos de Defesa e Diferenciação de Respostas
Os neutrófilos são fundamentais na defesa do organismo contra patógenos como vírus, bactérias e fungos, além de desempenharem um papel crucial na regulação da resposta inflamatória. Para neutralizar ameaças, esses glóbulos brancos utilizam diversos mecanismos, incluindo degranulação, fagocitose e liberação de armadilhas extracelulares (NETs), que consistem em estruturas formadas por DNA e proteínas microbicidas.
Recentemente, pesquisadores do Centro de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), da Universidade de São Paulo (USP), liderados pela doutora Graziella Eliza Ronsein, investigaram a resposta dos neutrófilos a dois ativadores conhecidos: PMA e ionomicina. Os resultados indicaram que a ativação dessas células ocorre por vias bioquímicas distintas, modulando sua resposta imunológica de acordo com o estímulo recebido, o que pode ter implicações importantes para o entendimento de doenças inflamatórias e autoimunes.
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Implicações Clínicas
O estudo demonstrou que os peptídeos citrulinados gerados pela ativação dos neutrófilos com ionomicina são semelhantes aos formados quando essas células interagem com toxinas bacterianas específicas. Muitos desses peptídeos atuam como autoantígenos envolvidos em doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.
Estratégias de Defesa Imune
Uma das estratégias clássicas da resposta imune é a rápida produção de espécies reativas. Durante infecções, os neutrófilos são recrutados ao local afetado e ativam a enzima NADPH oxidase, que gera o radical superóxido, um precursor de outras espécies reativas. No entanto, os pesquisadores descobriram que apenas neutrófilos ativados por PMA produzem essas moléculas, enquanto os estimulados por ionomicina não mostram essa atividade.
A degranulação, outra resposta essencial, envolve a liberação de grânulos contendo enzimas citotóxicas. A análise proteômica revelou que o PMA provoca uma degranulação leve, enquanto a ionomicina induz uma degranulação maciça.
Além disso, tanto PMA quanto ionomicina induzem a formação de NETs, mas de maneiras distintas. A microscopia de células vivas mostrou que a formação de NETs pela ionomicina ocorre muito mais rapidamente do que pela PMA, sugerindo mecanismos diferentes.
Citrulinação e Suas Consequências
Outro achado importante foi o extenso processo de citrulinação de proteínas em neutrófilos ativados por ionomicina, incluindo componentes do citoesqueleto e da NADPH oxidase. Essa citrulinação pode inativar a enzima, explicando a ausência de produção de superóxido em neutrófilos ativados por ionomicina.
Os pesquisadores observaram que a ionomicina aumenta a concentração de cálcio intracelular, levando à ativação da enzima PAD4, que converte resíduos de arginina em citrulina, um processo crítico na modulação da resposta imune.
Próximas Etapas da Pesquisa
Os próximos passos incluem investigar como os neutrófilos reagem a estímulos mais brandos e fisiológicos, o que pode fornecer uma compreensão mais profunda sobre a regulação imunológica. A ionomicina é um estímulo intenso que remodela rapidamente as proteínas intracelulares, o que destaca a complexidade das interações celulares durante as respostas imunes.
O artigo "Investigating Neutrophil Responses to Stimuli: Comparative Analysis of Reactive Species-Dependent and Independent Mechanisms" está disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2213231725000539.
Com informações do Redoxoma.
Informações da Agência FAPESP
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