Estudo Inova em Tratamento de Negligência Espacial Unilateral Pós-AVC
Um novo estudo multicêntrico, denominado Titan Trial, está investigando um método inovador para tratar a negligência espacial unilateral (NEU), uma sequela incapacitante que pode ocorrer após um acidente vascular cerebral (AVC). Esta condição dificulta a percepção de um dos lados do espaço e pode impactar significativamente a reabilitação funcional de pacientes. O estudo combina duas técnicas de neuromodulação não invasiva: a estimulação elétrica transcraniana por corrente contínua (ETCC) e a estimulação magnética transcraniana tipo theta burst (TB), com sessões de fisioterapia orientada a tarefas.
Compreendendo a Negligência Espacial Unilateral
A NEU faz com que os pacientes não percebam ou esqueçam um lado do corpo ou do ambiente. Isso pode se manifestar de diversas formas, como ignorar alimentos ou objetos do lado afetado, não ouvir cobranças de atenção do lado negligenciado ou realizar atividades somente de um lado do corpo. Embora a NEU não seja um déficit motor ou visual, ela persiste mesmo que o paciente recupere força e movimento.
Avanços da Pesquisa em Neurorreabilitação
Essa pesquisa é uma continuidade de estudos anteriores sobre neurorreabilitação pós-AVC, apoiados pela FAPESP. O neurologista Rodrigo Bazan, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp), explica que o Titan Trial se baseia em resultados promissores de um estudo anterior, conhecido como Eletron Trial, que demonstrou que a ETCC pode ajudar a reduzir a NEU em pacientes com lesão no hemisfério cerebral direito.
Metodologia do Titan Trial
O Titan Trial propõe uma abordagem mais abrangente, que combina os efeitos estimulantes da ETCC no hemisfério lesado com a inibição do hemisfério contralateral. Essa combinação busca reequilibrar a atividade cerebral e potencializar a reabilitação através da fisioterapia. Os procedimentos são considerados seguros e indolores, podendo causar apenas um leve formigamento.
Diferenciais do Estudo
De acordo com Luana Aparecida Miranda Bonome, fisioterapeuta e doutoranda no programa de pós-graduação em Fisiopatologia em Clínica Médica da FMB-Unesp, o grande diferencial do Titan Trial é a combinação das técnicas de estimulação, em conjunto com a fisioterapia centrada em tarefas específicas. Isso maximiza os efeitos da neuromodulação e promove uma recuperação mais eficaz.
Participação Multicêntrica e Seleção de Pacientes
O estudo conta com a participação de diversas instituições de ensino e pesquisa no Brasil, incluindo a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de colaborações internacionais. No total, 51 pacientes com AVC isquêmico do hemisfério direito e diagnóstico confirmado de NEU serão recrutados, divididos em três grupos: estimulação ativa combinada, estimulação elétrica isolada e grupo placebo.
Avaliações e Expectativas de Resultados
As intervenções ocorrerão ao longo de 15 sessões, com avaliações intermediárias e de seguimento programadas. Os principais desfechos monitorados incluirão a redução da NEU, funcionalidade, qualidade de vida e autoeficácia dos pacientes. Os pesquisadores esperam que os resultados do Titan Trial contribuam para a consolidação da neuromodulação combinada como uma estratégia viável e eficaz no Sistema Único de Saúde (SUS), transformando tecnologias avançadas em práticas assistenciais cotidianas.
Informações da Agência FAPESP
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