Estudo Revela Prevalência Menor do Que o Esperado de Câncer de Cabeça e Pescoço

Por Redação
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Carcinoma Espinocelular: Um Desafio no Tratamento do Câncer de Cabeça e Pescoço

O carcinoma espinocelular é um dos tipos mais comuns e agressivos de câncer da região de cabeça e pescoço, caracterizando-se como o quinto câncer mais frequente e a sexta principal causa de morte relacionada à doença. Este tipo de câncer representa cerca de 95% dos diagnósticos de câncer na região, apresentando uma baixa taxa de sobrevivência após cinco anos, mesmo após intervenções cirúrgicas radicais. Esses fatores frequentemente resultam em recorrência, progressão e metástase.

Variantes Histopatológicas: Desafios e Implicações

Dentro do carcinoma espinocelular, existem variantes histopatológicas que representam um significativo desafio clínico. Esses subtipos, raramente diagnosticados, são identificáveis apenas por meio de análises microscópicas e podem manifestar comportamentos imprevisíveis, exigindo abordagens de tratamento específicas que muitos profissionais da saúde podem não ser familiarizados.

Uma pesquisa que analisou mais de 1.400 casos dessa condição revela a prevalência das variantes histopatológicas em 4,6%, em contraste com estimativas anteriores que variavam entre 5% e 15%. Esta pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi publicada na revista Annals of Diagnostic Pathology.

Revisão de Dados Históricos

Os dados anteriormente registrados indicavam que entre 5% e 15% dos carcinomas espinocelulares se apresentavam como variantes histopatológicas. No entanto, uma investigação sobre a origem dessas estatísticas revelou que muitos estudos utilizados como base eram limitados a amostras pequenas, sem representatividade populacional adequada. Jorge Esquiche León, professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do estudo, destacou a necessidade de revisitar essas informações para uma melhor compreensão do câncer.

Fatores de Risco e Prognóstico

Os sintomas do carcinoma espinocelular incluem feridas que não cicatrizam, placas esbranquiçadas, manchas avermelhadas e massas tumorais com destruição progressiva. O tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) são identificados como causas importantes. Contudo, a pesquisa mostrou que, enquanto na Europa e nos Estados Unidos o HPV está associado a até 70% dos casos de câncer orofaríngeo, essa proporção é significativamente menor na América Latina, sendo cerca de 25% no Brasil.

León ressalta que a etiologia do tumor tem um impacto direto no prognóstico: pacientes HPV-positivos costumam ter uma resposta melhor ao tratamento. Assim, uma abordagem padronizada para todos os casos, sem considerar essas particularidades regionais, pode ser um erro grave.

Colaboração Internacional

O estudo foi realizado em colaboração com diversas instituições brasileiras e da América Central, incluindo a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal do Rio de Janeiro e universidades no México e El Salvador. Todos os dados foram coletados seguindo protocolos rigorosos, garantindo a consistência e validade dos resultados.

Conclusão

Em uma avaliação inicial de mais de 750 casos de carcinoma espinocelular convencional, os pesquisadores identificaram um número de amostras que não se encaixavam nas classificações tradicionais. Isso levou à realização desse grande estudo sobre variantes histopatológicas na América Latina, com resultados que reafirmam a necessidade de continuar essa investigação em larga escala.

Para saber mais, acesse o artigo completo em www.sciencedirect.com.

Informações da Agência FAPESP

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