A Importância da Pesquisa sobre o Tipping Point da Amazônia
A ciência brasileira deve aprofundar suas pesquisas sobre o tipping point da Amazônia, tanto para entender os fatores que influenciam esse fenômeno quanto para aumentar as evidências disponíveis. Essa foi a mensagem principal durante o painel "Hipóteses extraordinárias exigem evidências extraordinárias: Perspectivas em pesquisa, educação e ações sobre o tipping point da Amazônia", na COP30, em Belém.
O tipping point é um conceito que descreve um momento crítico em que um ecossistema não consegue mais se regenerar, entrando em um estado de retroalimentação negativo. O tema ganhou notoriedade com o livro The Tipping Point, de Malcolm Gladwell, que abordou a questão sob a ótica das ciências sociais.
Necessidade de Aprofundar Estudos sobre a Amazônia
Durante o evento, o pesquisador David Lapola, coordenador do Cepagri da Unicamp, ressaltou a urgência de pesquisas brasileiras sobre o tipping point da Amazônia. Ele enfatizou que, apesar das incertezas, a situação requer atenção e ação imediata. “Precisamos ter mais pesquisas brasileiras e simplificar a forma de comunicá-las, sempre mantendo o rigor científico”, afirmou.
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Lapola está entre os 664 cientistas de 111 países convocados para elaboração do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que pela primeira vez abordará o tipping point da floresta amazônica.
Análise dos Estudos Científicos
As pesquisadoras Sabine Righetti, da Unicamp, e Ana Paula Morales, da Fundação Conrado Wessel, apresentaram os resultados de um estudo que analisou 823 artigos científicos sobre tipping point. Os dados foram organizados com o auxílio de inteligência artificial e divididos em três grupos: sim, não e talvez, evidenciando a necessidade de mais pesquisas.
As conclusões indicam que existe um discurso binário simplista sobre o ponto de não retorno, com estudos apresentando variações significativas nas porcentagens de desmatamento associadas a esse fenômeno.
A Perspectiva dos Povos Tradicionais
Durante o painel, a indígena Kaiana Kamaiurá apresentou uma perspectiva única, afirmando que as comunidades indígenas sentem as mudanças climáticas na prática, mesmo sem compreender completamente o termo tipping point. “Antes contávamos o calendário com as estrelas para planejar o plantio, mas hoje isso já não serve”, destacou.
A pesquisa envolve a interação entre diversos saberes, incluindo os conhecimentos tradicionais, e ressalta a importância de integrar ciências sociais e humanas à pesquisa científica sobre o clima.
Conclusão
A discussão em torno do tipping point da Amazônia é complexa e multifacetada, destacando a necessidade de maior colaboração entre diferentes áreas do conhecimento e a inclusão de vozes marginalizadas na pesquisa. A urgência em abordar esse tema não pode ser subestimada, pois as consequências das mudanças climáticas estão se tornando cada vez mais evidentes.
Informações da Agência FAPESP

