Interação entre Microrganismos de Insetos e Plantas na Cultura do Milho
A pesquisa sobre microrganismos presentes em insetos, especialmente na lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas do milho, tem revelado insights importantes para a agricultura. Os insetos carregam uma variedade de bactérias, fungos e vírus que influenciam seu crescimento e interação com plantas hospedeiras, frequentemente utilizadas como fonte de alimento.
Durante um estudo de mestrado, a pesquisadora investigou o efeito de bactérias associadas aos insetos inoculadas em plantações de milho. O resultado surpreendente foi que algumas dessas bactérias, ao colonizarem os tecidos vegetais, passaram a beneficiar as plantas, promovendo um crescimento mais saudável e aumentando as defesas contra pragas e doenças. Essa interação sugere que a planta pode “aprender” a se defender, reconhecendo sinais associados a seus agressores.
As bactérias analisadas não apenas aumentam a resistência sistêmica da planta, mas também diminuem o desenvolvimento da lagarta-do-cartucho, levando à mortalidade das larvas. Essa capacidade de resposta mais rápida e eficiente é garantida pela produção de compostos de defesa, que geralmente são escassos em plantas não inoculadas.
No doutorado, a pesquisa evoluiu para compreender como essas bactérias afetam a fisiologia das plantas e suas interações com organismos como pragas e patógenos. Através de técnicas avançadas em biologia molecular, foram mapeadas as alterações em genes, proteínas e metabólitos, investigando também o potencial das bactérias simbiontes no fortalecimento do sistema imune das plantas contra doenças como o enfezamento do milho.
O objetivo central dessa pesquisa foi entender as interações entre plantas, insetos, simbiose e patógenos, buscando aplicar esse conhecimento no desenvolvimento de tecnologias agrícolas sustentáveis que aumentem a produtividade e a saúde das culturas.
Bioinsumos e Inovação Agrícola
A utilização de bactérias simbiontes como bioinsumos pode ser uma estratégia essencial para modular a fisiologia das plantas, estimulando o crescimento e fortalecendo as defesas naturais do milho. Essa abordagem não só potencializa a produtividade, mas também contribui para sistemas de cultivo mais resistentes.
Os avanços obtidos permitiram identificar genes e vias metabólicas ativadas na interação com simbiontes, fornecendo uma base para o desenvolvimento de novas tecnologias em programas de melhoramento genético e edição genômica. Assim, esses microrganismos têm um papel crucial como agentes biológicos funcionais e potentes ferramentas biotecnológicas.
Atualmente, a pesquisa continua com o apoio da FAPESP no projeto “Desenvolvimento da formulação de microrganismos simbiontes de insetos como inoculantes endofíticos de plantas: uma abordagem sistêmica contra as principais pragas do milho”, dentro do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Essa linha de pesquisa tem o potencial de transformar as estratégias de manejo agrícola e impulsionar a inovação sustentável no setor agrícola.
Informações da Agência FAPESP
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