Cientista social de formação, o britânico James Wilsdon é uma figura de destaque na “metaciência” — área que utiliza métodos científicos para analisar o próprio sistema de pesquisa, ampliando sua eficiência. Recentemente, Wilsdon visitou o Brasil para participar do seminário “Research on Research and Innovation Project: Indicators, Metrics, and Evidence of Impacts”, que ocorreu na FAPESP e na Universidade Estadual de Campinas.
Com experiência em universidades britânicas, como Sheffield e Sussex, Wilsdon desenvolveu sua carreira em organizações não governamentais e think-tanks, além de ter atuado como diretor de política científica da Royal Society, a academia nacional de ciências do Reino Unido. Atualmente, ele é professor de pesquisa na University College London (UCL) e dirige o Research on Research Institute (RoRI), fundado em 2019 para “destravar o potencial dos US$ 3 trilhões investidos globalmente em pesquisa todos os anos” e transformar sistemas de pesquisa.
Durante sua estadia no Brasil, Wilsdon destacou a importância da metaciência, que abrange termos como “ciência da ciência” e “pesquisa da pesquisa”. Ele explica que esses conceitos, embora distintos, representam um crescente interesse em aplicar métodos científicos robustos para entender como a pesquisa é conduzida, publicada e avaliada. A metaciência visa melhorar a eficiência e justiça do sistema científico, almejando uma ciência mais eficaz.
Wilsdon também comentou sobre o aumento da relevância desse campo nos últimos anos, citando iniciativas como a Metascience Unit, criada pelo governo britânico em 2024, e a Metascience Alliance. Ele acredita que há um maior engajamento de pesquisadores na metaciência e um movimento por parte de financiadores para apoiar essas iniciativas. Um exemplo é a Welcome Trust, que investe em bases de dados de publicações, como o OpenAlex, que facilita a metaciência.
A importância da metaciência foi ressaltada recentemente em editorial da revista Nature, que afirmou que este campo pode aprimorar a ciência, mas precisa ser útil para a sociedade. Wilsdon reconheceu que, embora a metaciência tenha benefícios públicos, é desafiador comunicar seu valor fora do meio acadêmico. Ele enfatiza que a eficiência no uso de recursos de pesquisa tem benefícios diretos para a sociedade.
O risco de que problemas apontados na pesquisa sejam usados como justificativa para cortes no financiamento é uma preocupação. Wilsdon observa que o movimento por melhorias na ciência não deve ser culpado por tais ações, e defende que a transparência e a correção de falhas são essenciais para o progresso a longo prazo.
Wilsdon também falou sobre experimentos do Research on Research Institute que testam métodos alternativos ao peer review (revisão por pares). Um método em destaque é a revisão por pares distribuída (DPR), na qual os solicitantes de financiamento atuam também como revisores, aumentando assim a eficiência do processo.
Em relação à confiabilidade dos revisores, Wilsdon afirmou que, embora haja um risco potencial de avaliações enviesadas, evidências iniciais sugerem que os revisores tendem a se comportar de forma ética. Ele explicou que o DPR não apenas melhora a eficiência, mas também aborda a dificuldade de encontrar avaliadores qualificados.
Por fim, a Metascience Alliance, recém-lançada, tem como objetivo unir instituições para fortalecer a comunidade de metaciência. Com financiamento inicial do Center for Open Science, essa iniciativa busca coordenar esforços e criar uma rede colaborativa que promova a eficiência e exposição das boas práticas na pesquisa. A participação é gratuita e está aberta a diversas organizações, tanto públicas quanto privadas.
Informações da Agência FAPESP