Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde: Avanços em Qualidade Nutricional e Consumo
Iniciado em outubro de 2022, o Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde, apoiado pela FAPESP no programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), visa investigar a qualidade do pescado e seu impacto na saúde humana e nos hábitos de consumo.
“O centro é um esforço de pesquisa que une a capacidade científica da academia com as demandas do governo do Estado, por meio do Instituto de Pesca, e empresas que financiam pesquisas para resolver problemas sociais concretos”, afirma Daniel Lemos, professor do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador do projeto.
O núcleo envolve também o Instituto de Pesca, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), e conta com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de empresas de diversos países como Noruega, Países Baixos, França e Estados Unidos.
Recentemente, o centro divulgou os resultados de uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de pescado em São Paulo, que revelou que esses hábitos são baixos, com a tilápia sendo o pescado preferido dos paulistas.
“Estudos indicam que o pescado pode ser mais saudável que outras proteínas animais. No entanto, o elevado custo ainda representa uma barreira para o consumo por boa parte da população brasileira”, afirma Lemos.
Atualmente, o Brasil é o 16º maior produtor de pescado cultivado do mundo e, segundo Lemos, existem condições para que o país se torne um dos principais produtores nas próximas décadas, assim como já acontece com alimentos como laranja, milho e carne bovina.
A história da avicultura no Brasil exemplifica essa possibilidade: há 50 anos, a produção de aves era pequena e os preços altos. Porém, com inovações tecnológicas, a produção aumentou exponencialmente, tornando a carne de frango a mais consumida no país. “A tilápia pode seguir um caminho semelhante, com potencial para suprir demanda interna e externa a um custo acessível”, enfatiza.
Além de buscar reduzir preços, o núcleo também visa diversificar hábitos alimentares, destacando os benefícios nutricionais dos produtos pesqueiros em comparação às carnes vermelhas.
O centro realiza um levantamento on-line para avaliar a aceitação de produtos derivados de carne mecanicamente separada (CMS) de peixes, como hambúrgueres e salsichas. Esses produtos são comuns na indústria de carnes bovinas e suínas, mas ainda há uma oferta limitada no setor pesqueiro.
A melhoria da qualidade nutricional do pescado é uma prioridade do núcleo, que realiza pesquisas sobre nutrientes e contaminantes nos principais tipos de pescado consumidos em São Paulo, além de investigar métodos para enriquecer esses alimentos. Em um estudo publicado na revista Aquaculture Research, pesquisadores testaram a adição de óleo de alga na ração de camarões cultivados, com o objetivo de aumentar os níveis de ácidos graxos ômega-3 na carne do crustáceo, evitando a dependência dos estoques pesqueiros.
Outro projeto investiga genes relacionados ao acúmulo de ômega-3 na carne da tilápia, buscando marcadores genéticos para desenvolver variedades mais nutritivas.
O sucesso do Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde tem gerado novos investimentos e parcerias, fortalecendo a pesquisa e a disseminação de conhecimento sobre pescado e saúde.
Para mais informações sobre o Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde, acesse: https://pescadoparasaude.org/.
Informações da Agência FAPESP