As principais políticas científicas e tecnológicas dos Estados Unidos, focadas em equidade, diversidade e inclusão no ecossistema de pesquisa e inovação, enfrentam desafios sob a atual administração. Kei Koizumi, consultor político com mais de 30 anos de experiência, afirmou que essa situação pode ser transitória. Ele ressaltou que a missão dos pesquisadores de proporcionar oportunidades para todos na ciência e engenharia permanece inalterada.
Seminário sobre Políticas Científicas
Durante o seminário "Research on Research and Innovation Project: Indicators, Metrics, and Evidence of Impacts", realizado na FAPESP, o objetivo foi discutir os rumos da política científica internacional e apresentar avanços na "ciência da ciência". Essa área visa aprimorar as métricas para avaliar o impacto das pesquisas e a produtividade dos cientistas, além de identificar vieses na produção científica.
O campo da ciência da ciência, embora não seja novo, ganhou destaque nas últimas duas décadas, impulsionado pelo crescente interesse de governos, empresas e cidadãos sobre os retornos sociais e econômicos dos investimentos em ciência e tecnologia.
Novas Métricas e Avaliações
Sérgio Salles-Filho, professor da Unicamp e organizador do evento, mencionou a necessidade de ir além da bibliometria e das métricas tradicionais. Ele enfatizou a importância de novas abordagens para entender como a pesquisa é organizada e avaliada, bem como seu impacto na sociedade.
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, declarou que a Fundação está comprometida em avaliar a eficácia de seus mecanismos de fomento à pesquisa. "A FAPESP é um local privilegiado para discutir essas questões no Brasil", afirmou Zago, destacando o sucesso em aproximar a academia de empresas e órgãos governamentais.
Mensuração de Impactos
Marcio de Castro, diretor científico da FAPESP, anunciou a elaboração de uma iniciativa para mensurar os impactos dos programas da Fundação. Esse esforço visa avaliar os resultados socioeconômicos das pesquisas apoiadas ao longo dos anos.
Carlos Américo Pacheco, presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, observou que a avaliação de iniciativas de financiamento de pesquisa é complexa, dada a diversidade de modalidades de auxílios e bolsas oferecidos.
Construção de Políticas Científicas
Koizumi também frisou que há potencial para desenvolver novas políticas científicas que incentivem indicadores e avaliações robustas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Essas ferramentas podem amplificar os impactos positivos da pesquisa em diversas dimensões.
Entre as iniciativas notáveis, Koizumi participou da criação da Diretoria de Inovação e Parcerias em Novas Tecnologias da National Science Foundation (NSF). Esta diretoria busca promover a competitividade dos EUA por meio de investimentos em tecnologias emergentes.
Equidade e Inclusão na Pesquisa
A criação da Arpa-H, uma agência de financiamento dentro do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, tem como missão apoiar inovações em biomedicina, promovendo saúde para todos. Koizumi destacou a importância de traduzir o modelo da Darpa para o contexto da saúde, visando melhorar os resultados de saúde com base em pesquisa biomédica.
Além disso, o especialista enfatizou a necessidade de criar mecanismos de financiamento que fomentem a equidade e a inclusão na pesquisa, reconhecendo que o ecossistema de inovação dos EUA ainda não reflete a diversidade da população.
Em resumo, a discussão sobre as políticas científicas e tecnológicas é vital para garantir um futuro mais inclusivo e eficaz na pesquisa e inovação, abordando desigualdades históricas e promovendo a participação equitativa em todas as suas formas.
Informações da Agência FAPESP