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Preço de alimento típico sobe e Festa Junina corre risco

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Secas, queimadas e aumento de temperaturas já afetaram vários alimentos da dieta dos brasileiros. O resultado? O aumento de preço.

(Imagem: Rimma Bondarenko/Shutterstock)

O mês oficial da Festa Junina está chegando, mas a falta de chuva em partes do Nordeste pode provocar a escassez de um alimento essencial dessa festividade: o milho. A precipitação abaixo do esperado nas regiões produtoras resultou na diminuição de disponibilidade, enquanto o preço disparou em até 30%.

Milho em falta

Na Paraíba, esse cenário é alarmante. A comerciante Maria José de Amorim, residente em Sousa, delegou ao Jornal Nacional que um balaio com 52 espigas de milho costumava custar perto de R$ 40 no passado, mas agora é vendido por R$ 62.

Certa parte dos produtores chegou a perder até 90% da produção devido à seca que afeta a região. Carlos José de Araújo Filho, engenheiro agrônomo da Empaer/PB, destacou em entrevista ao mesmo veículo: “Normalmente chove aqui de março a julho, mas esse ano tivemos uma diminuição de aproximadamente 70% no regime de chuva. Em vez de 200 milímetros, choveu apenas 30 milímetros, comprometendo drasticamente a produtividade do milho.”

Como consequência, a disponibilidade de milho caiu substancialmente. Com a demanda em alta, especialmente próximo a festividades juninas, os compradores enfrentarão uma elevação significativa nos preços.

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Café, cacau, azeite e outros alimentos também estão sofrendo os efeitos do clima (Crédito: ril21/Shutterstock)

Outros alimentos devem ficar mais caros por causa do clima

Não é a primeira vez que ouvimos notícias sobre o encarecimento de alimentos provocados por fenômenos climáticos. Entre eles, alguns merecem destaque:

  • O café e o azeite estão entre os mais afetados. As mudanças climáticas impactam diretamente sua produção, causando uma elevação nos preços.
  • O chocolate, muito apreciado pelos brasileiros, também está apresentando aumento de custos. Estudos revelam que as altas temperaturas estão prejudicando as plantações de cacau.
  • Outros alimentos fundamentais na dieta brasileira, como feijão, leite, açúcar e suco de laranja, sofreram queimadas em 2024, causando danos às suas respectivas plantações.
  • Ainda mais preocupante é o futuro da banana. As altas temperaturas tornarão insustentável seu cultivo na América Latina e no Caribe até o ano de 2080.

Por todas essas razões, um quadro de alerta se instala. O brasileiro, que já enfrenta os efeitos da inflação, verá sua cesta básica impactada diretamente. Profissionais da área revelam que a situação exige esforço conjunto entre produtores, governo e consumidores para mitigar os danos e reverter essa realidade agravada pelo clima. Porém, se o tempo não colaborar, os desafios econômicos continuarão se intensificando.

A escassez de milho, café, azeite e outros alimentos demonstra uma conexão clara entre fenômenos climáticos e a capacidade de abastecimento. Assim sendo, a preocupação vai muito além dos números, tocando no aspecto cultural e social da festividade que está por vir. Todos os olhares se voltam para o céu, torcendo pela esperada chuva e crendo em dias melhores.

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