O risco de incêndio na Amazônia está diretamente relacionado ao comprometimento do armazenamento de água subterrânea, especialmente durante períodos de seca agravados pelo El Niño. Pesquisadores utilizaram imagens de satélite e dados de queimadas para evidenciar essa conexão, desenvolvendo uma ferramenta potencialmente útil para ações preventivas.
Os resultados da pesquisa, baseados em dados de 2004 a 2016, apontam para uma diminuição nas condições de umidade do solo superficial, da zona das raízes das árvores e das águas subterrâneas, sendo este último o mais severamente afetado pela aridez. Essas condições de seca prolongada, decorrentes do El Niño, afetam significativamente a capacidade de recuperação desses “reservatórios” de água.
Os incêndios florestais na Amazônia, em grande parte originados de atividades humanas, têm impactado a vegetação da região. A escalada das queimadas está diretamente ligada às condições climáticas, com um aumento significativo de focos de incêndio em 2024.
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O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do oceano Pacífico, desempenha um papel crucial nesse cenário, alterando padrões de circulação atmosférica e distribuição de umidade em escala global. A intensificação e frequência esperadas desses eventos nas próximas décadas tornam esses estudos ainda mais relevantes para a compreensão e mitigação dos riscos de incêndios.
Com base nessas descobertas, o desenvolvimento de um índice de risco de incêndios adaptado à região amazônica pode ajudar na implementação de estratégias preventivas. A interconexão entre condições meteorológicas, hidrológicas e os incêndios florestais ressalta a importância de ações coordenadas para minimizar o impacto desses eventos extremos. Esta pesquisa também visa conscientizar sobre a vulnerabilidade da floresta diante de eventos climáticos mais intensos e frequentes.
No futuro, a inclusão de dados coletados em campo poderá aprimorar o sistema de alerta desenvolvido, permitindo uma resposta mais eficaz em situações de baixa disponibilidade de água subterrânea. O artigo completo pode ser acessado em: https://agencia.fapesp.br/el-nino-agrava-impacto-da-seca-em-aguas-subterraneas-na-amazonia-e-eleva-risco-de-incendio-constata-estudo/53651.
Esses esforços conjuntos de pesquisa e monitoramento são essenciais para compreender e enfrentar os desafios relacionados aos incêndios florestais na Amazônia, contribuindo para uma gestão mais eficiente e sustentável desse importante ecossistema.
Informações da Agência FAPESP

