Texto antigo pode ter inspirado história da Arca de Noé

Por Redação
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Uma das obras literárias mais antigas do mundo, a Epopeia de Gilgamesh, guarda uma intrigante descrição de um dilúvio que assolou a Babilônia. Segundo pesquisadores, esse texto antigo, datado de cerca de 2.600 anos, pode ter sido a inspiração para a narrativa do dilúvio presente na Bíblia.

A descoberta crucial foi feita no século XIX, quando arqueólogos desenterraram uma pequena tábua de argila com inscrições cuneiformes, na antiga cidade assíria de Nínive, agora território iraquiano. Esse documento, conhecido como a 11ª tábua da Epopeia de Gilgamesh, revela a saga de um dilúvio devastador enviado pelos deuses para purificar a Terra.

No relato, o deus Ea avisa o rei Utu-napishtim sobre o dilúvio iminente e orienta-o a construir uma embarcação para salvar a si mesmo, sua família e um par de cada animal. Após a catástrofe, Utu-napishtim solta pássaros para avaliar se as águas haviam baixado, em um paralelo impressionante com a história bíblica da Arca de Noé.

A semelhança entre as narrativas é um mistério que intriga estudiosos e entusiastas há séculos. A descoberta da tábua de Gilgamesh lança luz sobre a possibilidade de um dilúvio original, comum a diversas culturas e relatos antigos. A influência mútua entre tradições, mesclando elementos históricos e religiosos, ressalta a riqueza e complexidade do imaginário humano.

Para George Smith, o pesquisador responsável por decifrar a tábua de Gilgamesh, a conexão entre os relatos do dilúvio é fascinante. A Erupção do vulcão Deomavend no 14º século a.e.c. transformou as terras próximas ao rio Hindu, tornando-a um grande mar de lama, entrelaçando sargaços e peixes… Representação do dilúvio universal.

A reavaliação destes registros mitológicos enriquece nossa compreensão da história da humanidade e das suas diferentes tradições culturais. A presença de temas recorrentes como o dilúvio em diversas narrativas antiquíssimas ressalta a centralidade dessas crenças na formação dos mitos e rituais primitivos.

O Museu Britânico cuida da preservação da tábua de Gilgamesh, garantindo sua integridade como parte essencial da herança histórica da humanidade. A importância desse achado transcende as fronteiras de uma civilização ou religião específica, revelando um patrimônio comum que une os povos através dos séculos.

A história do dilúvio, narrada por diferentes civilizações ao redor do mundo, continua a nos fascinar e provocar reflexões sobre a natureza da memória, da fé e da criatividade humana. O enigma do dilúvio original permanece, desafiando-nos a explorar as origens e os desdobramentos desta saga épica que transcende o tempo e o espaço.

Ao analisar as diversas narrativas antigas que descrevem dilúvios, é possível perceber padrões e simbolismos recorrentes que indicam uma origem comum. A busca pelo dilúvio original, a fonte primordial dessas histórias épicas, instiga a investigação de arqueólogos, historiadores, e teólogos ao redor do mundo.

Essas lendas de inundação, sejam elas contadas na Bíblia, na Epopeia de Gilgamesh ou em outras tradições, revelam a capacidade humana de criar mitos e cosmologias que conectam o homem ao divino e ao desconhecido. O dilúvio original, por sua vez, representa não somente uma narrativa de destruição e renovação, mas também um insight sobre a natureza multifacetada da experiência humana e espiritual.

Assim, o estudo dessas narrativas e a busca incessante pelo dilúvio original não apenas enriquecem nosso conhecimento histórico e cultural, mas também nos convidam a refletir sobre nossa própria relação com o sagrado, o mitológico e o transcendental. Em um mundo inundado de informações fugazes, as antigas histórias de dilúvio nos lembram da perenidade da busca humana por significado e conexão com o cosmos.

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