Frio e calor extremo podem afetar o cérebro de crianças

Por Redação
3 Min

Um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) investigou os efeitos das temperaturas extremas no cérebro das crianças, levantando preocupações sobre o impacto dessas condições climáticas adversas. A pesquisa analisou a substância branca do cérebro, responsável pela conexão entre diferentes áreas, e destacou que tanto o frio quanto o calor intenso podem ter efeitos negativos no desenvolvimento cerebral dos mais jovens.

Os resultados do estudo apontaram que a exposição ao frio durante a gravidez e nos primeiros anos de vida, bem como ao calor nos primeiros anos, estava associada a uma maturação mais lenta da substância branca. Esse desenvolvimento retardado pode gerar uma menor eficiência na comunicação entre as áreas do cérebro, o que pode afetar a função cognitiva e a saúde mental das crianças.

A pesquisa também revelou que as crianças que viviam em áreas economicamente desfavorecidas eram as mais expostas aos riscos do frio e do calor extremos. Essa sensibilidade aos extremos de temperatura era semelhante à da população em geral, mas se manifestava de forma mais precoce nesse grupo. A falta de acesso a serviços energéticos modernos e as condições de moradia precárias foram fatores apontados como justificativa para essa disparidade.

Mònica Guxens, líder do estudo, destacou a importância dessas descobertas ao ressaltar a vulnerabilidade dos fetos e crianças às mudanças climáticas. Ela ressaltou a urgência de implementar estratégias de saúde pública para proteger as comunidades mais vulneráveis e desfavorecidas.

O impacto das temperaturas extremas no desenvolvimento cerebral das crianças pode estar relacionado a diversos fatores, como a qualidade do sono comprometida em ambientes com variações climáticas intensas. Além disso, disfunção placentária, aumento dos níveis hormonais de cortisol e processos inflamatórios também podem influenciar nesse processo, mesmo que ainda não haja uma resposta definitiva para essa questão.

Em resumo, o estudo realizado pelo ISGlobal alerta para a importância de se compreender e mitigar os efeitos das temperaturas extremas no desenvolvimento cerebral das crianças. A ênfase em estratégias de saúde pública e medidas de proteção para as comunidades mais vulneráveis se faz necessária diante desse cenário preocupante. É fundamental que órgãos governamentais e a sociedade como um todo estejam atentos e engajados na busca por soluções que garantam um ambiente saudável e seguro para as gerações futuras.

Compartilhe Isso