O peixe amazônico conhecido como corvina ou pescada-branca (Plagioscion squamosissimus) é considerado o responsável por uma queda significativa na diversidade de espécies nativas nos reservatórios Jaguari e no rio do Peixe, no sistema Cantareira e na bacia do Paraíba do Sul. Essa conclusão foi apresentada em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicado na revista Biological Invasions.
Os dados analisados foram coletados durante o monitoramento da fauna de peixes pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que registrou a presença da corvina no reservatório a partir de 2001. Em apenas dez anos, a corvina se tornou a espécie mais abundante no local. Este peixe, embora amplamente distribuído em reservatórios hidrelétricos no Brasil, mostrou efeitos significativos na diversidade de peixes nativos da região.
A espécie invasora beneficiou-se do ambiente criado pela barragem, tornando-se a mais abundante no reservatório. Além da corvina, outras espécies introduzidas, como os tucunarés e as tilápias, também foram registradas, porém em menor quantidade, voltando as atenções para a corvina como principal causadora da redução da diversidade nativa.
A perda de diversidade observada inclui aspectos taxonômicos, funcionais e filogenéticos, com a substituição de espécies raras por generalistas, além de alterações significativas na composição e abundância das espécies de peixes. A erradicação da corvina, embora possa ser uma solução, pode acarretar problemas sociais devido ao seu papel como recurso pesqueiro.
Soluções para o problema envolvem ações de controle da pesca da espécie invasora, incentivando sua captura durante todo o ano, sem limitações de tamanho ou período reprodutivo. No entanto, a legislação nacional e estadual impõe restrições tanto às espécies nativas quanto às invasoras, o que pode dificultar o manejo adequado da situação.
O estudo destaca a importância da conscientização e da implementação de medidas eficazes para lidar com espécies invasoras e preservar a biodiversidade local, levando em consideração não apenas a erradicação, mas também a possibilidade de surgimento de outras invasoras. O artigo completo pode ser acessado em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-023-03243-9.
Informações da Agência FAPESP