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Embasa conclui manutenção em rede de esgoto em Patamares

Embasa conclui manutenção em rede de esgoto em Patamares
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

O problema com a rede coletora de esgoto que estava lançando dejetos no mar da praia de Pataramares, há cinco dias, foi resolvido na madrugada desta quarta-feira (10). Segundo a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), a manutenção emergencial, iniciada na sexta-feira (5), concluiu o reparo de um equipamento da rede.

No entanto, o interceptor está sendo colocado em funcionamento de forma gradativa – isso significa que o “extravasamento” para o rio Jaguaribe foi reduzido em parte e, em até 48 horas, será extinto, de acordo com a Embasa. Com o conserto, o esgoto doméstico coletado na sub-bacia atendida pelo interceptor será conduzido integralmente para a estação de condicionamento prévio da Boca do Rio.

“O problema de funcionamento do interceptor foi resolvido e os impactos gerados durante a interrupção do seu funcionamento serão dissipados nos próximos dias”, informou a Embasa.

Por meio de nota, a Embasa salientou, entretanto, que os banhistas devem continuar evitando a praia da Terceira Ponte. “A rede de esgotamento está sendo colocada em operação. A recomendação é que os banhistas acompanhem os relatórios de monitoramento da balneabilidade das praias de Salvador divulgados pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), disponíveis no site www.inema.ba.gov.br.”, completa a nota.

O CORREIO procurou o Inema mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

PRAIA DE PATAMARES FOI CONSIDERADA IMPRÓPRIA EM 90% DO ANO

Multa
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) autuou, nesta segunda-feira, (8), a Embasa por poluição ambiental da foz do rio Jaguaribe e da praia de Jaguaribe, tornando-a imprópria para o banho de mar. A multa pela infração gravíssima pode chegar a R$ 5 milhões, de acordo com a lei municipal 8.915 de 2015. A Embasa também foi notificada pela Sedur para em um prazo de 48 horas regularizar e sanar o lançamento de esgoto, vindo de uma adutora quebrada, que ocasionou o problema e poluiu os recursos hídricos da região.

A Embasa informou que recebeu, ontem (9), a notificação da Prefeitura de Salvador e que “vai prestar os devidos esclarecimentos”.

Investigação
Nesta terça-feira (9), o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) chegou a solicitar à Central de Perícias do próprio órgão um laudo para determinar as causas do lançamento de esgoto na praia de Patamares. De acordo com o promotor Sérgio Mendes, da 3ª Promotoria do Meio Ambiente de Salvador, responsável pelo pedido, mesmo que o Rio Jaguaribe seja historicamente poluído, é preciso identificar as razões para o que vem acontecendo nos últimos dias.

Na semana passada, a Embasa informou que a rede coletora de esgoto da região parou de funcionar na sexta-feira (5). Segundo o órgão, uma semana antes disso, técnicos já teriam percebido a necessidade de fazer uma manutenção de emergência no sistema.

Desde então, o esgoto sanitário dos bairros de Mussurunga, parte da Avenida Paralela, São Cristóvão, Jardim das Margaridas, Bairro da Paz e Alto do Coqueirinho tem sido despejado no rio – e, de lá, direto no mar.

“A poluição desse rio não é de agora. Todos os rios de Salvador são poluídos. Sem um laudo, entendo que pode ter acontecido alguma questão de falha técnica, mas me parece que tem tratores ali retirando terra. Então, precisamos saber o que é, se é só uma questão de esgotamento sanitário ou se tem algum problema sendo consertado”, afirmou o promotor, em entrevista ao CORREIO, nesta terça.

Fedor
O odor tem afastado banhistas, moradores e até comerciantes do local. O educador físico Marcelo Carvalho tinha o hábito de frequentar a praia de Patamares, diariamente. Ele ia até o local para tomar banho de mar e fazer atividades físicas. Abreu, no entanto, se viu obrigado a mudar a rotina depois da fedentina. Agora, ele levanta mais cedo para ir a outra praia.

“Não tem quem suporte ficar aqui, não. O fedor sempre existiu, mas piorou e a água também está estranha”, disse.

Marcelo não foi o único a ficar no prejuízo. O vendedor Maciano Pereira trabalha em uma das barracas de Patamares e conta que está perdendo de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por causa do fedor.

“Os clientes chegam com crianças, olham a cor e o fedor da água e vão embora. Ninguém quer ficar na barraca”, conta Pereira. Para ele, esse problema afeta também o turismo da região. “Os gringos ficam com medo da água. Hoje, eu perdi um grupo aqui”, completa.

Foi o que fez a doméstica Lindinalva Sena, que foi ontem à praia de Patamares. Acompanhada da família, ela passou a tarde na areia, com receio de entrar no mar por causa da cor da água. “Preferi não tomar banho, porque com essa água, tenho medo de entrar no mar e pegar alguma doença”, conta.

Ao tomar banho em praias impróprias, o banhista corre risco de contrair doenças gastroentéricas, vômito, diarreia e, em casos mais graves, até a hepatite A.

Por Correio da Bahia

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