Quatro anos após morte de artista plástico em ação policial em Candeias, família pede justiça

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Foto: Repdroução

Após quatro anos, a família de Manoel Arnaldo Santos Filho, de 60 anos, conhecido como “Nadinho”, morto a tiros durante uma ação policial dentro do ateliê dele em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, pede justiça pela morte do artista plástico.

Filha de Nadinho, Maraísa Santos afirma que a família precisa de uma resposta sobre o ocorrido. “A gente precisa dessa resposta, porque é muito ruim viver com essa incerteza se os culpados pela morte do meu pai vão pagar ou não”, desabafou.

Nadinho era casado e pai de quatro filhos. Segundo relato de familiares, no dia do crime, os policiais chegaram ao local atirando. O artista plástico morreu após ser atingido por um tiro que atravessou o lado direito das costas e saiu pelo lado esquerdo.

Por meio de nota, a Policia Militar informou que foi instaurado um procedimento disciplinar que está suspenso por determinação judicial. Os PMs suspeitos Edvaldo Nunes, Leandro Xavier e Dinalvo dos Santos, continuam trabalhando, realizando serviços internos.

A outra filha do artista plástico, Márcia Cristina Marinho, relatou o sofrimento enfrentado pela família nos últimos anos, sem a presença do pai.

“Quando a gente olha para a arte de painho, é uma arte viva, é o que a gente sente hoje: ele está vivo dentro de nós. No entanto, em todo 21 de abril sentimos a mesma dor daquele dia em 2018, inclusive, eu enterrei meu pai no dia do meu aniversário”, detalhou.

Na ocasião, a PM tinha alegado que, no dia do crime, Nadinho estava com um revólver e disparou contra a guarnição, da janela de casa, mas a arma falhou. Essa versão sempre foi contestada pela família.

Em junho de 2018, foi realizada a reconstituição do caso e, os três PMs envolvidos, que estavam afastados das atividades, foram indiciados por homicídio doloso. Já em julho do mesmo ano, a perícia desmentiu a versão dos policiais de que Nadinho teria atirado contra eles.


O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) informou que a Justiça acolheu o pedido e desclassificou a infração penal contra os réus para o crime não doloso, quando não há intenção de matar. O caso foi remetido à Justiça Militar, onde os denunciados vão responder por crime de homicídio culposo. Com a classificação, o MP-BA não pode mais atuar no processo.

Por meio de nota, a PM disse que foi instaurado um procedimento administrativo disciplinar, que está suspenso por determinação da Justiça. A PM informou ainda que a documentação foi encaminhada para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para adoção de medidas cabíveis.

A reportagem da TV Bahia entrou em contato com a PGE, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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