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Projeto Escolas Culturais promove inclusão em Camaçari

Foto: Ascom

O Projeto Escolas Culturais, uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, através das suas secretarias de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Cultura (Secult) e Educação (Sec), para o desenvolvimento de atividades ligadas música, teatro, dança e cinema, teve sua implantação em janeiro de 2018, nos 27 territórios de identidade do estado da Bahia.
O município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, foi contemplado com o projeto há um ano e o seu diferencial é o objetivo inclusivo e de cuidados com os jovens e adolescentes que participam das atividades.

Segundo Elisângela Senna, coordenadora do Projeto Escolas Culturais de Camaçari, além da inclusão artística, com a realização de várias atividades, o projeto também está voltado para a inclusão de pessoas com deficiência e outros aspectos importantes para a saúde dos jovens. “Em Camaçari, uma das linhas de ação do projeto é a saúde emocional dos jovens. Todas as atividades culturais e de formação são pensadas para que tenham reflexo positivo no emocional deles, principalmente no combate à depressão e ao suicídio”, contou. Sena também ressaltou a importância das parcerias com secretarias de Estado e outros órgão públicos para que o projeto possa atingir seu objetivo inclusivo. “Nós trabalhamos a inclusão usando a arte. Já realizamos festivais de cinema, de arte urbana, de hip-hop mas também já trouxemos a rede de proteção para a escola, como Creas, Cras, Caps”, contou Sena, ressaltando que o trabalho é realizado ao lado da comunidade escolar.

Segundo a coordenadora geral e executiva do Escolas Culturais, a socióloga, Lilian Mendes, além de a proposta ter sido desenvolvida para promover mais integração entre a escola, o estudante e sua família, seu maior objetivo é incentivar o uso da escola como equipamento cultural e de interação social, contribuindo com a redução da vulnerabilidade infanto-juvenil e a evasão escolar.
“É uma proposta que visa envolver também aqueles que estejam enfrentando problemas de saúde emocional, familiares, racismo, entre outros distúrbios sociais”. De acordo com Mendes, o envolvimento da escola na Rede de Proteção Social fortalece a ação do Estado e cria um ambiente de amparo aos jovens. “É pensar o sujeito de modo integral e com justiça social”, reiterou.

Para Ester Militão, 21, surda e professora de Libras na Associação de Apoio, Inclusão Social e Desenvolvimento Sustentável de Camaçari (Abênção), o projeto Escolas Culturais é a realização de um desejo antigo. “Eu sempre tive vontade de dançar, mas as pessoas achavam que uma pessoa surda não era capaz. Eu sei que sim. Alguém surdo pode fazer qualquer coisa. Pode dançar, pode representar, pode fazer o que quiser”, contou.

Segundo ela, a participação no projeto abriu portas para a inclusão. “Eu participei de uma apresentação de dança aqui na escola e os alunos foram bem receptivos, principalmente porque eu precisei adaptar a coreografia”. Ester atualmente está envolvida no desenvolvimento das habilidades de DJ e dançarina. “Quando vou dançar, coloco o aparelho auditivo para sentir as vibrações (disse toando no peito). É preciso também que eu adapte o movimento, para que as pessoas com deficiência, como eu, entendam o que a mensagem que a música traz”, afirmou a jovem professora, que também promove inclusão nas suas apresentações.

Segundo a coordenadora pedagógica da Escola Modelo Luis Eduardo Magalhães, unidade educacional estadual de ensino médio, as escolas que receberiam o projeto foram escolhidas pelo Governo do Estado seguindo alguns critérios. “Esta é a única escola em Camaçari que participa do projeto Escolas Culturais. Era preciso que os estabelecimentos a estrutura necessária e foi feito o projeto-piloto aqui e o ‘Escolas Culturais’ veio pra quebrar o paradigma e integrar o conhecimento científico com os saberes populares e culturais”. Ela também ressaltou que os alunos têm procurado a coordenação pedagógica para realizar atividades ligadas ao seu desenvolvimento pessoal, emocional e profissional, dando uma resposta positiva à iniciativa institucional.

O sucesso do projeto pode ser comprovado na adesão espontânea dos jovens. “Temos constatado através de nossas ações uma ressignificação desse ambiente pelos estudantes que hoje participam mais, propõe temas de seu interesse, interagem ativamente em nossos eventos e pautam o uso desse espaço em horários e dias extracurriculares, passando a fazer da escola, ainda mais, o seu grande ambiente de convívio social, lazer e expressão”, comemorou a coordenadora geral do Projeto escolas Culturais, Lilian Mendes.

A Escola Modelo Luis Eduardo Magalhães funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno e atende 1721 jovens inscritos no ensino médio.

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