Lula destaca soberania e reparação em discurso sobre energia e IA

Por Redação
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Lula defende soberania e cooperação no I Fórum de Alto Nível CELAC-África

Neste sábado, 21 de março, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou do I Fórum de Alto Nível CELAC-África, realizado em Bogotá, Colômbia. Em sua fala, Lula enfatizou a importância da soberania dos países da América Latina, Caribe e África, afirmando que não se deve permitir a interferência externa que comprometa a integridade territorial das nações: “Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência”, declarou.

O presidente alertou para o cenário global atual, caracterizado por uma crescente concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Ele destacou o contraste alarmante entre os gastos exorbitantes em armamentos — estimados em US$ 2,7 trilhões até 2025 — e o fato de que 630 milhões de pessoas ainda passam fome. Lula clamou por uma mobilização conjunta para combater a fome e a pobreza, propondo que os líderes assumam a responsabilidade por esses desafios. “Essa guerra que nós temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo”, ressaltou.

O presidente também abordou a questão das terras raras, defendendo que a exploração dos minerais críticos deve ser priorizada pelas nações que os possuem, como forma de fomentar o desenvolvimento econômico regional. “É a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitarem ser apenas exportadores de minerais”, disse.

Lula mencionou a necessidade de reparações históricas, referindo-se à dívida do Brasil com a África devido a 350 anos de escravidão. Ele reforçou que enfrentar a herança colonial é um tributo necessário à história compartilhada entre os continentes.

O fórum, que buscou fortalecer os laços entre a CELAC e a África, ocorre em um contexto de crescente fragmentação e unilateralismo global. Lula propôs uma cúpula de líderes para consolidar essa reaproximação, enfatizando que a colaboração entre as duas regiões deve ser baseada em interesses comuns e na luta por um futuro mais equitativo.

Os debates no fórum abordaram diversas questões, incluindo desenvolvimento, agricultura, saúde e clima. Em sua agenda, Lula destacou cinco eixos de ação, sendo o combate à fome o primeiro deles. “340 milhões de pessoas passam fome na América Latina, no Caribe e na África. Essa é uma realidade inaceitável em um mundo que produz alimentos suficientes para todos”, afirmou.

O presidente também ressaltou a importância da transição energética e da preservação ambiental, mencionando que os países do Sul Global têm um papel fundamental a desempenhar nessa área, especialmente no que se refere a florestas tropicais e energias renováveis. “A América Latina e a África já cooperaram em diversos foros para combater os crimes ambientais”, lembrou.

Por fim, Lula apontou para a necessidade de investimentos em tecnologia e inteligência artificial como formas de alavancar o desenvolvimento das duas regiões, assegurando que as juventudes locais sejam beneficiadas por essas inovações. Ele concluiu seu discurso reafirmando a importância do multilateralismo e da representação adequada de países da América Latina e da África no cenário internacional, especialmente no Conselho de Segurança da ONU.

O I Fórum de Alto Nível CELAC-África, portanto, não apenas reforçou a necessidade de cooperação entre as regiões, mas também destacou o papel crucial que Lula e outros líderes podem desempenhar na construção de um futuro mais justo e sustentável para todos.

Com informações da Agência Gov

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