Março: Mês de Celebrações e Memórias no Teatro Brasileiro
Março é um mês emblemático no Brasil, marcado por celebrações significativas que vão desde o Dia Internacional da Mulher até a valorização das artes cênicas. Este ano, o mês ganhou um significado ainda mais profundo com a comemoração dos 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Integrando essa festividade, a Funarte homenageou o histórico Teatro Oficina, oferecendo uma programação especial no dia 12 de março, durante a 11ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo.
O evento começou com o lançamento do livro “Teatro Oficina: fotografias Lenise Pinheiro – Vol. 2”, uma coletânea que captura a memória viva do teatro brasileiro através das lentes da renomada fotógrafa Lenise Pinheiro. Ela, que foi recentemente reconhecida como mestra das artes pela Funarte, possui um dos mais ricos acervos de fotografia teatral do país. A roda de conversa que se seguiu contou com a presença da presidenta da Funarte, Maria Marighella, e de figuras proeminentes da cena artística, como os artistas Camila Mota e Marcelo Drummond, além do jornalista Claudio Leal.
Maria Marighella, ao abrir a roda de conversa, fez uma reverência ao legado do Teatro Oficina, descrevendo-o como um “terreiro” que abriga tanto a criação artística quanto a memória das tradições. “Comemorar é partilhar, é dividir”, disse ela, enfatizando a importância da comunidade na preservação das artes.
A presença do icônico diretor e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, fundador do Teatro Oficina e falecido em 2023, fez-se sentir em cada depoimento. Claudio Leal destacou que o lançamento do livro de Lenise representa um marco em um momento de reviravolta cultural no Brasil. “Esse lançamento reflete a reversão do que aconteceu com a cultura brasileira a partir de 2014”, afirmou, referindo-se ao contexto político que influenciou o cenário artístico nacional.
Os anfitriões da conversa, Camila Mota e Marcelo Drummond, ressaltaram a importância de manter vivo o legado de Zé Celso, que incentivou uma cultura de continuidade e resistência no teatro. “Aqui, a energia se forma de uma forma diferente”, disse Lenise, refletindo sobre o impacto de Zé Celso em sua trajetória artística.
Após a roda de conversa, o público teve a oportunidade de adquirir o livro autografado por Lenise, enquanto o palco se preparava para a apresentação do espetáculo “Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Monique Gardenberg. A sessão, totalmente gratuita, foi um tributo à riqueza do teatro brasileiro.
Durante sua fala, Maria Marighella também anunciou a implementação da Política Nacional das Artes (PNA), um passo importante para a democratização e proteção das artes no Brasil. “A arte brasileira é uma riqueza do país e precisa ser promovida e distribuída”, concluiu.
Março, portanto, não é apenas um mês de celebrações, mas um momento de reflexão sobre o papel das artes na sociedade e a importância de preservar a memória cultural brasileira. Neste contexto, a Funarte reafirma seu compromisso com a cultura, celebrando não apenas 50 anos de história, mas também um futuro repleto de possibilidades.
Com informações da Agência Gov
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