Desmatamento e Violência: Como a Fiscalização Pode Interromper o Ciclo

Por Redação
4 Min

O Combate ao Desmatamento e a Redução da Criminalidade na Amazônia: Uma Questão de Segurança Pública

Durante anos, o desmatamento na Amazônia foi visto predominantemente como uma questão ambiental, frequentemente dissociada das discussões sobre segurança pública. No entanto, um estudo recente, intitulado “Combate ao desmatamento reduz a criminalidade na Amazônia”, liderado pelo projeto Amazônia 2030, desafia essa perspectiva. A pesquisa revela que a intensificação da fiscalização ambiental está diretamente relacionada à diminuição de homicídios e da criminalidade em municípios amazônicos.

A análise aponta que a presença do Estado é fundamental para a redução da violência. Em áreas onde a fiscalização é deficiente, atividades ilegais como grilagem, garimpo e extração clandestina de madeira prosperam, frequentemente acompanhadas de conflitos armados. Nessa linha de frente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) se destaca como a face mais visível do Estado, responsável pela gestão de 133 unidades de conservação que abrangem mais de 60 milhões de hectares.

Ricardo Brochado, coordenador da Coordenação-Geral de Proteção do ICMBio, enfatiza que a relação entre crime ambiental e violência não é mera coincidência, mas um reflexo de um sistema interconectado. O desmatamento na Amazônia está frequentemente ligado à ocupação de novos territórios e vem acompanhado de crimes fundiários, fiscais e até mesmo de violência contra cidadãos.

Entretanto, a atuação do ICMBio vai além da simples fiscalização. Em muitos casos, os agentes ambientais são o único contato do Estado em regiões onde serviços básicos são escassos. Eles orientam comunidades locais, mediam conflitos e oferecem informações que extrapolam as atribuições ambientais. Essa presença institucional é vital para a construção de um Estado mais forte em áreas remotas.

As estratégias adotadas pelo ICMBio, combinando inteligência territorial e monitoramento por satélite, têm mostrado resultados positivos. Utilizando ferramentas como o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter) e outros programas independentes, o Instituto consegue identificar áreas críticas e direcionar suas operações. De acordo com os dados mais recentes, houve uma redução impressionante de 74% no desmatamento nas unidades sob gestão do ICMBio entre 2022 e 2025, um número que supera a redução de 50% na Amazônia como um todo.

Mas as implicações vão além dos números. Carla Lessa, gerente regional Norte do ICMBio, ressalta que ações como a retirada de gado ilegal e a instalação de bases permanentes de fiscalização têm mudado radicalmente a lógica da ocupação clandestina. Sem infraestrutura para operar, redes ilegais perdem a atratividade.

Por fim, o estudo do Amazônia 2030 deixa claro que proteger a floresta é, simultaneamente, proteger as pessoas. O aumento da fiscalização ambiental e a presença do Estado não apenas conservam a biodiversidade, mas também impactam diretamente a segurança pública. A conexão entre motosserras e armas de fogo na Amazônia evidencia que o desmatamento é apenas a ponta do iceberg de uma complexa rede de crimes que afetam a vida de muitos.

Assim, o ICMBio e suas ações demonstram que o combate ao desmatamento pode ser uma ferramenta poderosa na luta contra a criminalidade, reforçando a ideia de que a conservação ambiental e a segurança pública estão intrinsecamente ligadas.

Com informações da Agência Gov

Curtiu? Siga o Candeias Mix nas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram, e Google Notícias. Fique bem informado, faça parte do nosso grupo no WhatsApp e Telegram.
Compartilhe Isso