Crédito Rural Empresarial: Desempenho Positivo e Desafios no Semestre Inaugural do Plano Safra 2025/2026
O crédito rural empresarial no Brasil apresentou um desempenho notável no primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, com recursos contratados chegando a R$ 316,57 bilhões, um crescimento de 6% em comparação ao mesmo período da safra anterior. Segundo dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, os valores efetivamente liberados nas contas dos produtores também foram significativos, totalizando R$ 307,11 bilhões, marcando uma alta de 3%.
O destaque deste semestre foi a expressiva expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que aumentaram 37%, alcançando R$ 143,22 bilhões. Essa modalidade, que se destina principalmente ao custeio da safra, quando somada ao custeio tradicional, resulta em um total de R$ 241,38 bilhões para financiamento da produção, um incremento de 10% em relação à safra anterior.
Entretanto, o cenário não é inteiramente otimista. O crédito destinado a investimentos sofreu uma queda acentuada de 20%, totalizando R$ 35,41 bilhões. O Programa de Construção de Armazéns (PCA), que é crucial para a infraestrutura agrícola, manteve-se estável, com uma leve retração de 1%. A dinâmica de cautela no mercado reflete tanto a demanda dos produtores, que priorizam o custeio, quanto a postura mais reservada das instituições financeiras, influenciadas pelas elevadas taxas de juros da Selic, que permanece em 15% ao ano, embora haja expectativas de redução nos próximos anos.
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A comercialização, por outro lado, apresentou uma queda de 10%, com R$ 20,56 bilhões contratados, enquanto a industrialização se destacou com um crescimento de 45%, totalizando R$ 19,22 bilhões. Esse movimento sugere um aumento no interesse pelo beneficiamento e pela agregação de valor à produção agrícola, uma tendência que pode ser um indicativo de inovação no setor.
As fontes de recursos controladas apresentaram um recuo de 7%, totalizando R$ 92,26 bilhões, enquanto as fontes não controladas caíram 25%, somando R$ 71,63 bilhões. As LCA livre e poupança rural livre refletiram variações significativas, com a primeira apresentando uma queda de 33% e a segunda um crescimento de 21%.
O número total de contratos firmados também demonstrou uma diminuição, com uma queda de 24%, passando de 445.156 para 337.548 operações. Essa redução foi particularmente acentuada nos segmentos de agricultura empresarial e CPR, indicando uma mudança no perfil de captação de recursos pelos produtores rurais brasileiros.
Em suma, o primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026 é marcado por um crescimento nas Cédulas de Produto Rural e um ambiente cauteloso que reflete os desafios enfrentados pelos produtores e instituições financeiras. A participação das CPR no total concedido, que subiu de 34% para 47%, é um sinal claro de como os produtores estão se adaptando a um novo cenário econômico e buscando alternativas para financiar suas atividades.
Para detalhes completos, confira o Boletim de Desempenho do Crédito Rural.
Com informações da Agência Gov
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