Trabalho análogo à escravidão: homens negros são as principais vítimas no Brasil

Por Redação
4 Min

Balanço do Combate ao Trabalho Escravo no Brasil: Desigualdades em Foco

Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), divulgou um balanço das ações de combate ao trabalho análogo à escravidão, revelando uma realidade alarmante. O número de trabalhadores resgatados, que totalizou 2.772, demonstra que essa prática permanece intimamente ligada às desigualdades raciais e sociais no Brasil. Do total, 86% são homens e 83% se autodeclaram negros (pretos ou pardos), evidenciando a vulnerabilidade da população negra, especialmente em contextos de pobreza estrutural.

Perfil dos Resgatados

A análise dos dados revela que a maioria dos resgatados está na faixa etária de 30 a 39 anos, e 65% residem na região Nordeste, com o Maranhão como um dos estados mais afetados. A escolaridade é um fator crucial: 68% dos resgatados possuem baixa escolaridade, 24% concluíram o ensino médio e 8% são analfabetos. Essa correlação entre trabalho escravo e exclusão educacional reforça a urgência de políticas públicas voltadas para a educação e a inclusão social.

Dercylete Loureiro, diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, enfatiza que muitos trabalhadores resgatados, especialmente no setor doméstico, viveram em condições análogas à escravidão por décadas. Para ela, o aumento nos números de resgates reflete a eficácia das novas estratégias de fiscalização, que agora alcançam aqueles que antes eram invisíveis, especialmente nas áreas urbanas.

Mudança de Cenário

Pela primeira vez, os resgates em áreas urbanas superaram os do meio rural, com 68% das vítimas encontradas em contextos urbanos. As fiscalizações revelaram a presença de trabalho escravo em diversas atividades econômicas, incluindo construção civil, administração pública, e até mesmo na mineração ilegal. Essa diversificação mostra que a exploração do trabalho não se limita a um único setor, mas permeia várias esferas da economia.

Ação Integrada do Estado

A Shakti Borela, coordenadora-geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravidão, sublinha que esses dados não são apenas números, mas sim vidas e histórias de pessoas que tiveram seus direitos fundamentais violados. O sucesso das operações é fruto de uma atuação conjunta entre diferentes instituições, como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Federal (PF) e Defensoria Pública da União (DPU), que trabalham em sinergia para identificar vítimas e responsabilizar os exploradores.

Durante um evento em homenagem ao Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, ressaltou-se que o combate ao trabalho escravo é uma das principais missões da Inspeção do Trabalho. A memória dos auditores-fiscais mortos na Chacina de Unaí foi relembrada, simbolizando o compromisso do Estado brasileiro com a defesa dos direitos humanos. Apesar dos avanços, a realidade do trabalho escravo ainda persiste, exigindo um esforço contínuo para erradicar essa violação de direitos.

O balanço apresentado oferece um panorama preocupante, mas também indica a determinação do Estado e da sociedade civil em lutar contra essa chaga social. Para mais informações, o balanço completo pode ser acessado aqui.

Com informações da Agência Gov

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