Nota de Repúdio: Racismo Religioso e Intolerância em Salvador

Por Redação
3 Min

Ataque a Terreiro em Salvador: Uma Violação à Liberdade Religiosa

Na madrugada de sábado, 17 de janeiro, o terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador, foi alvo de um ataque de intolerância religiosa que chocou a comunidade local e gerou repúdio em todo o país. O espaço, que há 33 anos é um ponto de referência para a prática do candomblé e para ações sociais, teve sua entrada vandalizada com pichações ofensivas, incluindo palavras como “assassinos” e “Jesus” em tinta vermelha.

O vandalismo foi descoberto por volta das 7h da manhã, quando uma filha de santo chegou ao local e encontrou o terreiro marcado por mensagens de ódio. Além das pichações, o portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio também foram cobertos de tinta vermelha. O babalorixá Pai Mutá, responsável pelo terreiro, registrou o incidente na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), que classificou o caso como racismo religioso.

A Polícia Civil, em nota, informou que as investigações estão em andamento para identificar os responsáveis pelo ataque, mas até o momento não houve detenções. A falta de câmeras de segurança na área e a ausência de testemunhas complicam a busca por justiça.

A Fundação Cultural Palmares manifestou seu veemente repúdio ao ataque e ressaltou que casos como esse não são meras depredações, mas sim graves violações à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em um país que abriga uma rica diversidade cultural e religiosa, a intolerância religiosa representa um retrocesso e um desafio a ser enfrentado com firmeza.

O terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza não é apenas um espaço de culto, mas também um centro comunitário que realiza atividades sociais e culturais voltadas para os moradores da região. Pai Mutá afirmou que este é o primeiro ataque que o terreiro enfrenta em sua história, ressaltando que sempre manteve uma relação respeitosa com a comunidade local.

A Fundação Cultural Palmares expressou solidariedade a Pai Mutá e a todos os membros do terreiro, enfatizando a importância de políticas efetivas para proteger espaços sagrados e promover a convivência pacífica entre diferentes tradições religiosas. A mensagem do terreiro após o ataque é um poderoso lembrete da resistência: “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça”.

Esse episódio destaca a necessidade urgente de diálogo e respeito entre as diversas expressões religiosas do Brasil, reafirmando que a cultura afro-brasileira é essencial para a identidade nacional. A luta contra a intolerância religiosa deve ser uma prioridade para todos os cidadãos e instituições que acreditam na liberdade e na dignidade humana.

Com informações da Agência Gov

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