Prefeitura baiana distribui ‘kit Covid-19’ com ivermectina e cloroquina

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Foto : Reprodução / Facebook

A Prefeitura de Itagi, no sudoeste da Bahia, vai passar a distribuir um “kit Covid-19” com medicamentos para pacientes com sintomas do novo coronavírus.

De acordo com a gestão, a ação ocorre para “evitar que pacientes se desloquem até as farmácias” e “reforçar o combate à disseminação acelerada” da doença.

O kit é composto pelos medicamentos hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, que têm sido apontados, sem comprovação científica, como eficazes no combate da Covid-19.

A Secretaria da Saúde, de acordo com o plano de enfrentamento à COVID-19, a fim de evitar que pacientes dessa doença se desloquem para farmácias, criou o KIT-COVID que está sendo entregue, em domicílio, a todos os pacientes sintomáticos. A criação desse kit é mais uma ação pioneira na região e reforça o combate à disseminação acelerada do novo coronavírus no município.

Vale lembrar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nota, na última sexta-feira (10), na qual desaconselha o uso da ivermectina no tratamento da Covid-19. Segundo o órgão, não há estudos científicos que comprovem a eficácia do medicamento contra o coronavírus. Ainda de acordo com a Agência, até o momento, não existem remédios aprovados para prevenção ou tratamento da doença no país. A ivermectina é usada no tratamento de vermes e parasitas.

A Anvisa ainda alertou que, se por um lado não há comprovações da eficácia do anti-parasitário, por outro lado está documentando os efeitos colaterais e os riscos do uso do medicamento sem prescrição médica. “No caso da Ivermectina, os principais problemas (eventos adversos) são: diarreia e náusea, astenia [perda da força física], dor abdominal, anorexia, constipação e vômitos; em relação ao sistema nervoso central, podem ocorrer tontura, sonolência, vertigem e tremor. As reações epidérmicas incluem prurido, erupções e urticária.”

Outro medicamento do kit sem eficácia comprovada é a hidroxicloroquina. Apesar da falta de estudos sobre a substância, ela ficou famosa no Brasil após ter o uso incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro. Diagnosticado com a Covid-19, Bolsonaro afirma que tem tomado a cloroquina no tratamento da doença. 

Na sexta, a OMS disse não indicar o uso da substância em pacientes com coronavírus.

“A OMS não indica o uso da cloroquina em pacientes de coronavírus porque não conseguimos demonstrar um benefício claro a eles”, afirmou diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. A declaração foi em resposta a um questionamento da imprensa sobre as afirmações de Bolsonaro em relação ao medicamento.

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