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Comando Unificado de Incidentes é criado para deliberar ações das manchas de óleo no litoral baiano

Óleo na praia em Porto de Sauípe (Marina Silva/CORREIO)

O secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), João Carlos Oliveira e a diretora-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Márcia Telles, realizaram na manhã desta sexta-feira (11), uma reunião de articulação institucional, esforço conjunto, mobilização e discussão de ações de contenção e limpeza das manchas de óleo que chegaram ao litoral baiano desde o dia 4 de outubro. Além da Bahia, mais oito estados tiveram suas praias impactadas: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Participaram da reunião representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado (Sudec), da Bahia Pesca, dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, dos Institutos de Biologia e de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e das prefeituras municipais de Camaçari, Conde, Jandaíra, Entre Rios, Mata de São João, Lauro de Freitas e Cairu.

As instituições presentes criaram um comando unificado para o desenvolvimento de ações coordenadas em resposta ao avanço das manchas de óleo no litoral baiano. O grupo que contará ainda com representantes da Marinha e Petrobras se reunirá diariamente na sede do Ibama, no Rio Vermelho, para adoção de medidas estratégicas e divisão de tarefas a partir da expertise de cada órgão.

A proposta apresentada pelo grupo é que as medidas sejam adotadas de forma estratégica com diversas frentes de ação, que incluem a limpeza das praias; fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e ferramentas; instalação de barreiras de proteção para contenção do óleo, evitando seu avanço principalmente em áreas de manguezais e estuários; orientação técnica especializada para limpeza dos corais; apoio intensivo aos municípios com menor capacidade de investimento humano e material; estudo para identificar a origem e deslocamento das manchas de óleo; além de alinhar qual o destino adequado do material coletado nas praias.

“A criação deste comando unificado se dá no intuito de juntarmos esforços e potencializarmos nossas ações em torno de um problema comum, com impactos não só para o meio ambiente, mas danos irreversíveis para a vida marinha, e também socioeconômicos. As equipes técnicas da Sema e do Inema estão acompanhando as ações de mitigação dos danos ambientais, com sobrevoos para identificação de áreas afetadas, resgate de animais atingidos e fornecimento de equipamentos para os colaboradores das limpezas das praias oleadas,” afirmou o secretário João Carlos.

A diretora-geral do Inema, Márcia Telles, explicou que desde o início de setembro, quando foram informadas as primeiras manchas de óleo no litoral do Nordeste brasileiro, as instituições que compõem a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), da qual o Governo da Bahia faz parte, vem atuando no monitoramento das áreas afetadas. A partir do momento que as manchas chegaram ao litoral baiano, as equipes técnicas do Inema, em parceria com o Ibama, Projeto Tamar e ICMBio, realizam o acompanhamento, análise dos impactos, abrangência e monitoramento, alinhando com os poderes públicos locais estratégicos a limpeza e contenção dos resíduos. Também foi iniciado um trabalho de investigação em conjunto com a Marinha do Brasil, a fim de proceder com as análises e a identificação da origem da mancha de contaminação no mar territorial brasileiro.

“A maior dificuldade apresentada nesse caso é a incapacidade de identificarmos o deslocamento das manchas de óleo nos sobrevoos realizados. Por serem de subsuperfície, só conseguimos perceber as manchas quando elas chegam à costa. Para mitigação dos impactos à fauna, nossos veterinários estão avaliando e tratando cada animal resgatado. O Instituto de Biologia da Ufba está fazendo um levantamento técnico dos impactos à fauna, e também às comunidades ribeirinhas. E, em parceria com o Tamar, já foram resgatadas 500 tartarugas marinhas que nasceram em área oleada, que serão cuidadas e soltas em local não atingido. Essas ações mostram a importância da criação deste comando unificado para potencializarmos nossas ações em cada área específica”, explicou Telles.

A primeira reunião do Comando Unificado de Incidentes será realizada amanhã (12), às 10h. O superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Alves, explicou que o formato de comando estratégico único foi utilizado nos estados do Maranhão e Sergipe, e que essa experiência servirá de base para a atuação na Bahia. “A partir deste grupo de trabalho unificado poderemos centralizar esforços e recursos, com reuniões diárias e um relatório de atuação único de todas as ações tomadas pelo governo, o que facilitará também a comunicação com a sociedade”, afirmou.

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